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Pacientes oncológicos podem preservar fertilidade

Abril é considerado o mês mundial de luta contra o câncer. Nos últimos anos, muito além de estudar a cura ou o tratamento do câncer, muitos especialistas têm voltado suas pesquisas para um tema importante: fertilidade. Já é comprovado que a radioterapia e a quimioterapia podem levar à infertilidade e uma das saídas é a oncofertilidade, uma especialidade da medicina que tem como objetivo manter a fertilidade dos pacientes com câncer que desejam ter filho após o tratamento da doença. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, cerca de 50% dos pacientes submetidos a tratamentos oncológicos têm risco de perder sua capacidade reprodutiva após o tratamento, podendo esta perda ser transitória ou  permanente.

Para o ginecologista, obstetra, especialista em reprodução humana e diretor da Cenafert, Dr. Joaquim Roberto Costa Lopes, “as medicações quimioterápicas, assim como a radioterapia, podem agredir os ovários na mulher e os testículos no homem, tornando-os inférteis. Por este motivo, surgiu a oncofertilidade, uma ciência que visa a preservação da fertilidade em homens e mulheres jovens com diagnóstico de câncer”. 

A estratégia escolhida para cuidar da fertilidade depende do tipo e do estágio do câncer. Quanto mais precoce o diagnóstico da doença, maior será a possibilidade de preservação da fertilidade. Uma consulta com um médico especialista em reprodução humana deve ser agendada logo após o diagnóstico do câncer, antes de submeter-se à quimioterapia ou radioterapia.

“Hoje, é possível começar a qualquer momento a estimulação dos folículos no ovário da mulher. Antigamente, havia uma limitação, porque os médicos achavam que era preciso esperar a menstruação chegar pra poder começar a estimulação, fato que criava a necessidade de retardar o início do tratamento do câncer. Atualmente, enquanto a mulher que deseja preservar sua fertilidade se prepara para iniciar a quimioterapia ou a radioterapia, ela é estimulada e colhe os seus óvulos, que são armazenados para uma fecundação posterior, após a sua cura”, detalhou o Dr. Joaquim Lopes.

Para o especialista, os médicos oncologistas não devem deixar de  alertar seus pacientes sobre a existência da Oncofertilidade. “Diante da elevação dos índices de cura do câncer, principalmente em pacientes jovens, é preciso considerar que quando eles vencem a doença, têm o mesmo desejo das outras pessoas: estudar, casar, ter filhos… Com isso em mente, é fundamental que os oncologistas estimulem seus pacientes a planejarem a preservação da fertilidade antes do tratamento com a quimio ou da radioterapia”.