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SUS fornecerá novos remédios para crianças e adolescentes transplantados de fígado

O Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou recentemente o fornecimento de medicamentos utilizados para evitar a rejeição de fígado transplantado em crianças e adolescentes, de 0 a 17 anos. Conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que orienta o cuidado relacionado ao transplante hepático pediátrico, poderão ser prescritos os imunossupressores basiliximabe, everolimo e timoglobulina. De acordo com nota do Ministério da Saúde, os medicamentos já estavam sendo fornecidos pelo SUS.

De acordo com o hepatologista e gastroenterologista Dr. André Lyra, a implantação de um órgão ou tecido de um indivíduo em outro faz com que o sistema imune tente eliminar aquele corpo estranho do organismo. Por isso, é necessário utilizar, nos casos dos transplantes em geral, incluindo o transplante hepático, drogas que mantenham o sistema imune menos ativo, chamadas de  imunossupressoras. “As medicações dessa classe existentes no cenário atual, no caso específico do transplante de fígado, são altamente eficazes em evitar rejeição, embora, em alguns casos, ainda assim, a rejeição possa ocorrer. Se ocorrer, é possível aumentar a dose dos imunossupressores, adicionar outros ou trocar a medicação que está sendo utilizada por outra”, explicou.

Transplantes

Dados do Ministério da Saúde apontam que no ano passado foram realizados 239 transplantes de fígado em crianças e adolescentes no Brasil. Nos dois primeiros meses de 2019, foram realizados 32 transplantes pediátricos. Nove em cada dez casos de transplantes são custeados pelo SUS, que oferece assistência integral e gratuita. Em mais de 90% dos procedimentos, os resultados são positivos.

O transplante de fígado é indicado para quem sofre com doenças hepáticas agudas ou crônicas irreversíveis e progressivas. No caso de crianças e adolescentes, as principais indicações de transplante são para casos de obstrução progressiva sem causa definida (atresia de vias biliares) e doenças metabólicas como, por exemplo, excesso de gordura no fígado (esteatose).

Segundo o Dr. André Lyra, existem critérios bem estabelecidos na literatura médica que definem quais pacientes podem ou não ser submetidos ao transplante hepático. Em linhas gerais, “para secandidato ao procedimento, o paciente deve apresentar alguma complicação da cirrose hepática, como presença de ascite, icterícia, hemorragia digestiva ou tumor primário do fígado em fase inicial, dentre outras. Adicionalmente, esses pacientes não podem apresentar outras doenças graves, a ponto de contraindicar o procedimento. Idade muito avançada é também um fator limitante”, frisou o especialista.