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Sombras móveis no campo de visão podem indicar descolamento de vítreo

Quando uma pessoa percebe, subitamente, a aparição de sombras móveis em seu campo de visão, ela recebe um sinal de alerta para procurar um(a) oftalmologista. É que existe uma grande chance desse ser um sintoma do descolamento de vítreo, muito comum em pacientes com mais de 50 anos de idade, em míopes e em pessoas que tiveram trauma ou inflamação ocular e cirurgia de catarata. Apesar de, na maioria das vezes, o problema não acarretar prejuízos para a saúde ocular, em alguns casos, o vítreo pode tracionar excessivamente a retina, fato que aumenta o risco de descolamento de retina, esse sim um motivo de preocupação maior, que pode afetar diretamente a visão.

O corpo vítreo é um gel transparente que ocupa quase toda a cavidade ocular e tem a sua composição quase inteiramente de água. Ele tem contato direto com a superfície interna da retina e tem funções químicas e físicas, mas a sua principal função é permitir a passagem dos raios luminosos que chegam até a retina. O descolamento do vítreo ocorre quando ele se solta da parede ocular. À medida que as pessoas envelhecem, o vítreo sofre um processo de liquefação e de condensação das suas fibras de colágeno, o que culmina com a sua separação da retina. Essa separação é chamada de descolamento do vítreo, também conhecida como descolamento do vítreo posterior.

De acordo com a oftalmologista Verônica Castro Lima, as sombras que aparecem no campo de visão de quem apresenta o descolamento do vítreo  podem ter tamanhos e formatos variados, como por exemplos: pontos, linhas, teias, moscas, com movimentos flutuantes, rápidos e que acompanham o movimento dos olhos. “Essas sombras móveis são denominadas moscas volantes, ou no inglês, floaters”, pontua. Os pacientes podem perceber também flashes de luz no campo visual periférico.

Segundo a especialista, os pacientes com sintomas novos de descolamento do vítreo, que são as moscas volantes e os flashes de luz, devem ser examinados o quanto antes para verificar o estado da retina, ou seja, se ela apresenta roturas ou se ela está colada. “Quando ocorre o descolamento do vítreo posterior, o risco do desenvolvimento de roturas na retina é de aproximadamente 15%. Nessa situação, elas devem ser tratadas o mais rápido possível com fotocoagulação a laser para diminuir o risco de descolamento de retina. Além disso, se houver piora dos sintomas, como por exemplo, o aparecimento de uma quantidade maior de floaters (moscas volantes), flashes luminosos e defeitos de campos de visão, o paciente deve procurar imediatamente um médico oftalmologista”, alerta.

O diagnóstico do descolamento de vítreo é clínico e realizado através de exames de mapeamento de retina. Às vezes, são utilizadas lentes de contato para examinar toda a periferia da retina. O exame de ultrassonografia ocular pode ajudar em casos de dúvida diagnóstica ou quando não se tem meios para realizar o exame clínico, como em casos de catarata, por exemplo. Apesar do incômodo das moscas volantes, o descolamento do vítreo geralmente é benigno e não necessita de tratamento, que só se faz necessários em condições especiais, como, por exemplo, quando o paciente tem uma sintomatologia muito intensa, que o impede de realizar suas atividades. Nesses casos, o tratamento é realizado através de cirurgia de vitrectomia via pars plana para remoção do gel vítreo.

“Infelizmente não há cura para essa condição. Uma vez que ocorre o descolamento do vítreo, não há mais como reverter esse quadro. O que se pode fazer é tratar a sintomatologia. Na maioria dos casos, não há também como se prevenir o descolamento, já que se trata de uma condição que depende da idade, exceto em casos de trauma ocular”, concluiu a oftalmologista Verônica Castro Lima