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Pubalgia: dor na virilha é sinal de alerta

Você sente dores semelhantes a um estiramento muscular na virilha, se incomoda ao saltar ou subir escadas e nota que o desconforto é irradiado para os músculos adutores (parte interna das coxas)? Se esses sintomas são familiares, é possível que você esteja sofrendo uma inflamação no osso púbis, um dos três que formam a pélvis. O problema atende pelo nome de pubalgia e, embora seja mais comum entre jogadores de futebol (Kaká, ex-meia da seleção brasileira, teve a carreira abalada por ela), também vem prejudicando muitos corredores.

Mais comuns entre os homens, as dores no púbis têm origem com assimetrias de força, encurtamentos musculares ou por desequilíbrios no quadril. Como as dores irradiam para os músculos das duas pernas, o corredor tem menos força e potência durante o exercício. A pubalgia, muitas vezes, é confundida com cálculos renais, hérnias de disco ou dores abdominais que irradiam para baixo.

Segundo o médico especialista em ortopedia e traumatologia, Dr. Lauro Magalhães, “jogadores de futebol, praticantes de tênis e de artes marciais, que não façam o fortalecimento adequado dos grupos musculares abdominal e adutor, ou que tenham uma boa musculatura, mas sofram com o excesso de treinamento sem uma recuperação suficiente, estão mais propensos a desenvolver a pubalgia”.          

O diagnóstico é feito através de um exame clínico, que envolve uma apalpação específica. Exames de imagem também são alternativas para checar a existência da pubalgia. Se as dores forem subestimadas e não receberem a devida atenção no início, o problema pode ser crônico, como aconteceu como jogador de futebol Kaká. “O diagnóstico precoce é de extrema importância para que o tratamento possa ser iniciado o mais rápido possível e o atleta retorne ao esporte de origem, além de evitar a cronificação do caso”, frisou o Dr. Lauro Magalhães.

Como se livrar das dores no púbis

O tratamento da pubalgia raramente é exclusivamente medicamentoso. É preciso tratar a causa da lesão — ou seja, trabalhar o alongamento da musculatura adutora e promover o reequilíbrio da musculatura do core. Cirurgias são raras no tratamento de uma pubalgia. Uma operação só é discutida se o paciente não responde bem aos tratamentos sugeridos durante quatro ou cinco meses.

O ortopedista Dr. Lauro Magalhães explica que, inicialmente, o paciente é afastado temporariamente do esporte. Nesse período, ele toma anti-inflamatórios e analgésicos e faz fisioterapia, fundamental nesses casos. “Depois que a dor passa, buscamos um reequilíbrio muscular abdominal, adutor e do core. Além disso, corrigimos eventuais erros biomecânicos nos gestos esportivos enquanto, gradualmente, o atleta retorna ao esporte. É bom frisar que este tratamento é multidisciplinar, passa pelo ortopedista, passa pelo fisioterapeuta e também pelo educador físico”, explicou.