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Já é possível preservar a fertilidade em pacientes que lutam contra o câncer

A oncologia tem mostrado avanços muito grandes no ponto de vista de arsenal terapêutico, entretanto, um dos problemas nos tratamentos para o câncer é que eles não agridem só o tumor, podem agredir os testículos, no homem, e os ovários, na mulher, o que pode gerar uma situação de incapacidade de procriar. Então, a Oncofertilidade é especialidade da medicina que surgiu com o objetivo de manter a fertilidade do paciente com câncer.

As medicações, que são chamadas quimioterápicas, assim como a radioterapia, podem realmente agredir os ovários, na mulher, e os testículos, no homem. E a Oncofertilidade busca proteger, de alguma forma, a fertilidade em pacientes com câncer, sejam eles homens ou mulheres, para que, após o tratamento, eles possam ter seus filhos, desde quando preservaram ovários e testículos.

Dr. Joaquim Roberto Costa Lopes, médico ginecologista e obstetra e especialista em reprodução humana. explica que “na mulher, por exemplo, os tratamentos do câncer destroem o ambiente folicular, quer dizer, os folículos, onde são armazenados os óvulos. Ao término das sequências das séries de quimioterapia, há uma destruição das matrizes que iriam gerar o óvulo e, por excelência, contribuir para formar o embrião. Isso também pode acontecer no testículo, levando à infertilidade do homem”.  

É importante lembrar, que o tratamento para preservação da fertilidade é feito exatamente antes de iniciar o tratamento contra o câncer e pode beneficiar adultos e crianças. Para as jovens que ainda não começaram a menstruar, para adolescentes e pré-adolescentes, a criopreservação tem que ser do tecido ovariano. Para mulheres que já estão menstruando, o ideal é se estimular estes ovários, colhê-los e congelá-los maduros. “Hoje, pode-se começar em qualquer momento da vida a estimulação desses óvulos, desses folículos no ovário. Antigamente, até alguns anos atrás, representavam uma limitação a estimulação antes do câncer, porque, muitas vezes, o médico tinha o conhecimento de que teria que esperar a menstruação chegar pra poder começar a estimulação”, explica Dr. Joaquim Lopes.

 

Vale ressaltar que, se o paciente não fez uma criopreservação antes de iniciar a quimioterapia ou radioterapia, é possível fazer uma investigação pra saber como está a situação do ovário, o chamado estudo da reserva ovariana. Ou seja, “se a paciente tem uma reserva ovariana preservada, que ainda permite colherem-se óvulos, então, ela pode ser perfeitamente ser estimulada no intervalo de uma quimioterapia para outra, a fim de colher esses óvulos e criopreservá-los antes que ela inicie a nova série de quimioterapia. Caso já houve uma destruição do tecido ovariano, só existe uma alternativa: a gravidez utilizando-se óvulos de uma doadora”, finaliza Dr. Joaquim Lopes.