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Especialista esclarece mitos sobre a escoliose

Ao contrário do que muita gente diz por aí, carregar peso excessivo, praticar determinadas atividades físicas ou o “peso” da gravidez não causam escoliose, deformidade tridimensional na coluna vertebral responsável por um desvio da curvatura para a direita ou  esquerda. Embora existam as escolioses secundárias a deformidades congênitas, secundárias a doenças neurológicas ou por tumorações, o tipo mais comum de escoliose é a idiopática, sem causa definida.

Segundo o médico especialista em Ortopedia e Traumatologia, Dr. Carlos Henrique Araújo Silva, existem casos em que ao nascimento já é possível identificar a escoliose provocada por uma má formação das vértebras. No entanto, na maioria dos pacientes, a escoliose se forma durante o crescimento. Diferente do que muitos pensam, “o peso da mochila não causa escoliose. Porém o excesso de peso pode piorar a escoliose existente ou provocar outros diversos problemas na coluna, como alterações musculares e nos discos intervertebrais. O ideal é que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso da criança, que deve vestir suas duas alças, a fim de distribuir o peso nos dois ombros”, frisou.

Outro mito desfeito pelo especialista é o de que a prática de atividades físicas pode causar a escoliose. “Nenhum exercício é capaz de provocar escoliose, muito pelo contrário. No tratamento de escoliose usamos a atividade física como parte do tratamento conservador em escoliose de baixa angulação. Atividades que trabalham toda a musculatura do tronco, como a natação e o pilates, são as mais recomendadas”, explicou o Dr. Carlos Henrique.

“A gravidez também não provoca e nem piora uma escoliose, como alguns acreditam. No entanto, mulheres que possuem uma escoliose devem fazer um bom trabalho de fortalecimento e equilíbrio muscular para evitar sentir dores devido à sobrecarga mecânica na gestação”, recomendou o médico. 

O tratamento da escoliose varia de acordo com a gravidade da doença. Pacientes que apresentam uma escoliose com uma curva mais suave, abaixo de 20° são tratados apenas com observação e atividades de fortalecimento da musculatura, como o RPG, pilates e atividades físicas. Pacientes muito jovens que apresentam uma curva mais avançada, entre 20 e 40 graus, são candidatos a uso de coletes para correção da curva. Já curvas mais graves, normalmente acima de 45°, são candidatos ao tratamento cirúrgico. O planejamento do tratamento deve ser orientado pelo especialista, visto que há outros critérios que necessitam ser avaliados para um melhor tratamento.