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Dor no quadril em adolescentes é sinal de alerta

Adolescentes com idade entre 13 e 17 anos que têm dor no quadril - especialmente os praticantes de atividades físicas e os que têm alterações no formato dos ossos do quadril são pacientes cada vez mais frequentes nos consultórios de médicos ortopedistas. O impacto femoroacetabular (IFA) do quadril é uma das principais causas da dor do quadril em atletas adolescentes e também nos adultos jovens. Além disso, o IFA é um importante fator de risco para o desenvolvimento de artrose no quadril no futuro.

Para se ter uma ideia, estudos internacionais apontam que 15% da população apresenta alterações do formato do quadril compatíveis com o termo impacto femoroacetabular. A associação da dor no quadril com a alteração óssea merece atenção e tratamento individualizado. Segundo o ortopedista e traumatologista Dr. Lauro Magalhães, a dor no quadril é um sinal de alerta e deve ser investigado, principalmente porque o tratamento precoce é um dos principais fatores para melhores resultados. 

“O problema é causado pela junção do esforço de extremo de atos de movimento com a alteração anatômica que esse paciente tem. E as pessoas mais propensas são aquelas que praticam esportes de impacto ou que tenham que repetir muitos atos de movimento durante a ginástica, jogos de futebol, alpinismo, ballet, artes marciais, crossfit, esportes com saltos e rotação do quadril”, listou o especialista.

O médico acrescentou que o diagnóstico precoce é importante para conter a dor com mais rapidez. Além de tirar a dor do paciente, “precisamos devolvê-lo ao esporte que ele estava acostumado a fazer. E, mais do que tudo isso, prevenir a artrose, que significa o desgaste da articulação”, frisou.

O IFA - Impacto Femoroacetabular (IFA) é, basicamente, o contato anormal entre os ossos do quadril que ocorre durante os movimentos. Em quadris normais, durante movimentos do dia-a-dia ou atividades físicas, não existe contato agressivo entre o fêmur e o acetábulo. Mas diante de um quadro de IFA, é observado o impacto entre as estruturas que compõem o quadril (colo do fêmur e o osso acetábulo) e consequentemente o comprometimento de toda a biomecânica dessa articulação, lesão do labrum e da cartilagem articular.

O impacto passa a acontecer durante os movimentos do cotidiano como ficar sentado ou cruzar as pernas, e o dano pode aumentar nos casos da prática de atividades físicas que envolvam grandes amplitudes de movimento do quadril. Com o passar do tempo e a execução repetitiva dos movimentos, esse impacto anormal pode resultar em excessivo atrito e consequentemente lesões das estruturas moles interpostas na articulação, como labrum e cartilagem. 

SINTOMAS - A dor geralmente é na virilha e profunda. Alguns pacientes apresentam sintomas de dor ou desconforto no joelho, púbis e articulação sacroilíaca como consequência da doença no quadril. O IFA pode ser confundido com lesões musculares (distensões da coxa ou da virilha). A dor é a principal queixa, em geral relacionada com atividades físicas e com movimentos de flexão-rotação do quadril. Outras queixas incluem falta de mobilidade, travamentos e estalidos no quadril.

LESÃO DE LABRUM - A lesão do labrum acetabular em adolescentes geralmente está relacionada as alterações ósseas do IFA, displasia do quadril e hipermobilidade articular.

Quando a lesão do labrum é sintomática, o paciente pode necessitar de uma cirurgia para tratamento definitivo. É muito importante definir a causa da lesão do labrum para indicar o tratamento ideal para cada caso.

Inicialmente, o tratamento é não-cirúrgico, à base de medicações analgésicas, fisioterapia com fortalecimento muscular, evitando sempre os extremos de alongamento. E na falha desse tratamento, aí a gente opta por tratamento cirúrgico. Estudos demonstram excelentes resultados da Artroscopia do Quadril para tratamento da lesão do labrum e do impacto femoroacetabular em adolescentes. 

Impacto femoroacetabular tipo CAM (femoral) é mais frequente em meninos, e o tipo Pincer (acetabular) é mais comum nas meninas. Além disso, a fase de maturação esquelética é diferente entre paciente de sexos diferentes com a mesma idade. Geralmente as meninas têm a maturação esquelética mais precoce. “Individualizar cada caso é fundamental para o sucesso do tratamento", finaliza o doutor Lauro Magalhães.