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Mitos e Verdades - Diabetes

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Olga Goulart – O diabetes é um problema de saúde pública que tem uma abrangência muito grande na população, em especial no Brasil está crescendo de forma significativa. Vários fatores do estilo de vida atual vêm favorecendo no desenvolvimento do diabetes, principalmente devido à falta de informação, mesmo em pessoas que não têm histórico familiar. Para falar um pouco melhor sobre este tema na série Mitos e Verdades, hoje nós convidamos o médico Joaquim Custódio, especialista em endocrinologia e metabologia.

Doutor, é verdade que comer açúcar causa diabetes?

Dr. Joaquim Custódio – Bom Olga, eu diria que isso é parcialmente um mito, porque o açúcar por si só ele vai causar algum problema se ele enquanto carboidrato não for consumido, o carboidrato é uma fonte de energia que nós utilizamos nos nossos exercícios e nas nossas atividades do dia-a-dia e ele for estocado em forma de gordura. Então o que hoje em dia nós sabemos é que os alimentos ricos em calorias, incluindo os alimentos ricos em açúcar e consumidos de forma excessiva e sem um gasto energético que compense esta ingestão, isso vai gerar o excesso de peso e o excesso de peso tem relação com o diabetes. Então o que hoje em dia a gente tem ressaltado é que não é apenas o açúcar e não é simplesmente o fato de consumir o açúcar, é consumir o carboidrato (açúcar) sem ter um gasto energético que compense aquele consumo. Então a mensagem principal que a gente tem que ter é que na realidade é o ganho de peso que leva ao desenvolvimento do diabetes.

Olga Goulart – Diabéticos podem consumir alimentos naturais como frutas e verduras sem problema, isso é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Na maioria dos casos é verdade. Agora existem alimentos que são mais saudáveis para os diabéticos e outros que tem que ter um pouco mais de restrição. Uma coisa que a gente sempre tem ressaltado com os pacientes é que quando a gente vai avaliar os principais alimentos do dia-a-dia, as frutas que nós consumimos com mais frequência, é bem mais interessante a gente consumir a fruta in natura do que o suco da fruta, quando a gente prepara um suco a gente está retirando uma parte das fibras daquele alimento e quando nós retiramos a fibra, o carboidrato que é aquilo que consumimos vira açúcar ou glicose no sangue, ele é absorvido de forma mais rápida, então o suco tem a capacidade de influenciar a glicemia maior do que a fruta in natura, digamos assim. É claro que existem algumas frutas como por exemplo a uva, a banana e alguns outros que consumidos em grande quantidade podem interferir na glicemia. Então a sugestão é que sejam consumidas as frutas, as frutas são essenciais para uma alimentação saudável, agora em quantidades moderadas e de preferência não em grandes porções, se poder separar as porções ao longo do dia isso ajuda bastante.

Olga Goulart – É mito ou verdade afirmar que quem tem diabetes não deve exagerar no consumo de pães, de massas e de outros carboidratos?

Dr. Joaquim Custódio – Sim, isso é verdade. A gente não deve exagerar no consumo desses alimentos porque são alimentos que são ricos em carboidratos e tem um potencial muito grande de influenciar na glicemia. Hoje em dia nós temos sugerido sempre que possível o uso das versões integrais, do pão integral, a massa integral, o arroz integral, quando a gente está falando que este produto é integral quer dizer que ele tem uma quantidade maior de fibras na sua composição e as fibras na sua composição e essas fibras como eu já falei antes vão diminuir, vão retardar a absorção do carboidrato e a influência sobre a glicemia vai ser menor, mas com certeza o diabético não pode exagerar neste tipo de alimento.

Olga Goulart – Doutor, os diabéticos devem substituir o açúcar dos alimentos por adoçante, isso é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Na maior parte dos casos eu diria que sim, é verdade. O adoçante por não ter a carga calórica do açúcar e não ter o efeito glicêmico do açúcar ele é um aliado no controle dietético do paciente com diabetes. Agora o que a gente tem ressaltado mais recentemente, é que mesmo o adoçante tem que ser consumido também com moderação. Nós temos diversos tipos de adoçantes no mercado, cada um com propriedades, alguns hoje em dia tem se restringido um pouco mais o uso em alimentos que são aquecidos, a exemplo do café, alguns adoçantes como o aspartame o pessoal tem sugerido que não se utilize tanto em alimentos aquecidos, a sacarina e ciclamato que é muito utilizado tem sódio na sua composição, então também não devem ser utilizados em grande quantidade porque os pacientes que são hipertensos podem ter alguma influência. Então o adoçante é útil, mas ele também tem que ser usado com moderação, não é pelo fato dele não ter caloria ou ter pouca caloria que ele pode ser utilizado de forma indiscriminada, tudo isso tem que ser balanceado dentro do plano nutricional.

Olga Goulart – É verdade que alguns alimentos podem ajudar a controlar os níveis de glicose do sangue auxiliando o tratamento do diabetes ou é mito?

Dr. Joaquim Custódio – Isso é verdade. Os alimentos que a gente considera os mais saudáveis, como a gente falou mais cedo das frutas in natura, as verduras que são mais ricas em fibras, as folhas verdes, estes alimentos dentro de um plano nutricional eles ajudam bastante a retardar pelo efeito das fibras a absorção dos carboidratos que vão vir com outros elementos da dieta. A dieta do diabético tem que ser uma dieta sempre balanceada, ela não pode restringir nem o consumo do carboidrato completamente, nem o consumo da proteína, nem mesmo das gorduras insaturadas, essas gorduras benéficas como por exemplo o Ômega 3, o Ômega 6 e algumas outras, você não pode restringir, o que você tem é que balancear os alimentos para que você tenha uma composição nutricional equilibrada para aquele paciente. Mas sim, alguns alimentos tem um potencial de melhorar a glicemia, eles não têm o mesmo efeito terapêutico das medicações para o diabetes, mas ajudam sim a controlar melhor a glicemia.

Olga Goulart – Todo o diabético precisa de aplicação de insulina, doutor, isso é mito ou é verdade? 

Dr. Joaquim Custódio – Depende do tipo de diabetes que a gente está falando. No diabetes tipo 1, o diabetes que normalmente acontece na pessoa mais jovem, mas pode acontecer em adultos também. O diabetes tipo 1 é caracterizado por uma perda praticamente total da produção de insulina do pâncreas e aí neste caso necessariamente o paciente tem que usar insulina sim continuamente. Já no caso do diabetes no tipo 2 muitas vezes você consegue controlar este paciente usando comprimidos, mas o diabético do tipo 2 dependendo do tempo de evolução e de como ele controlou a glicemia desde o início da doença, ele pode desenvolver uma dificuldade em responder aos comprimidos e passar a ter que usar a insulina também. Eu diria que no paciente com diabetes do tipo 1 sim, ele precisa usar insulina, no paciente com diabetes do tipo 2 vai depender da situação clínica dele.

Olga Goulart – A aplicação de insulina pode causar dependência, isso é mito ou é verdade? 

Dr. Joaquim Custódio – Não, a insulina não causa dependência, a insulina é um hormônio que está presente no organismo de todos os humanos ao nascer e existem algumas situações no paciente com diabetes que a gente vai ter que recorrer a insulina. Por exemplo, alguns pacientes com diabetes quando vão fazer cirurgias ou quando precisam ficar internados durante algum tempo, normalmente o médico do hospital ele tira as medicações em comprimido e passa a controlar com insulina, porque as medicações em comprimidos podem interferir com alguns exames, interferir até mesmo em algumas medicações que são prescritas dentro do hospital, você substitui temporariamente com a insulina e depois que o paciente tiver bem controlado do problema que motivou o internamento, você vai voltar com as medicações em comprimido e tira a insulina, é perfeitamente possível e não vai causar nenhum tipo de dependência, está certo? A gente tem que entender que a insulina é um hormônio que o nosso organismo produz e que em algumas situações é preciso repor aquilo que está faltando, mas ela não causa dependência de jeito nenhum. 

Olga Goulart – Dá para se evitar a insulina caso o diabético mude a alimentação, evite o carboidrato, o açúcar e carnes vermelhas, por exemplo, isso é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Eu diria que é mito, porque normalmente quando o médico indica a insulina é porque ele tem uma percepção muito clara de que aquele paciente está com uma glicemia muito fora do controle ou pelo fato dele ser como eu falei mais cedo, diabético do tipo 1, ou seja, ele não produz a insulina de forma adequada e tem que realmente repor, ou ele é um paciente diabético do tipo 2 que já tem muito tempo de doença e as medicações em comprimidos não estão controlando bem. Então normalmente quando você coloca a insulina já é uma situação em que a glicemia está muito alterada e você precisa de uma terapia bem eficiente para controlar a glicemia. O ajuste da alimentação, como eu falei antes, ele é importante, mas normalmente ele não vai ter o mesmo efeito terapêutico da medicação. Eu diria que ele não teria como evitar a insulina pelo simples fato de você restringir carboidrato ou carne vermelha, por exemplo.

Olga Goulart – Quando uma pessoa fica nervosa ou estressada a sua taxa de glicose sanguínea sobe independente de ser diabético ou não, essa afirmativa é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Eu diria que é mito pelo seguinte, a gente sabe que o estresse é uma situação que eleva alguns hormônios do nosso organismo, como por exemplo o cortisol, que é o hormônio de estresse, a noradrenalina, que são hormônios que têm efeito sobre a glicemia, eles têm potencial de mexer com a nossa glicemia. Só que quando a taxa de glicemia sobe muito, isso significa que estes hormônios estão agindo, ou seja, fazendo com que nossa glicemia suba e o nosso hormônio que evita que a glicemia suba, que é a insulina, não conseguiu fazer uma resposta a ação destes hormônios que elevam a glicemia. Então na verdade a nossa glicemia é como se fosse uma gangorra que de um lado está a insulina e do outro lado tem vários hormônios que acabam influenciando a glicemia para cima e o equilíbrio desta gangorra que faz com que a nossa glicemia permaneça estável. Se a pessoa numa situação de estresse, especialmente se esse estresse for mais frequente e cotidiano ela tem vários picos de glicemia, é sinal de que alguma coisa no organismo dela já está falhando e ela tem que buscar uma variação ou eventualmente um tratamento adequado.

Olga Goulart – É verdade que o diabetes do tipo 1 é mais grave do que o tipo 2, doutor? 

Dr. Joaquim Custódio – Eu diria que isso é parcialmente um mito. O termo correto não seria dizer que o tipo 1 é mais grave do que o tipo 2, eu diria que o tipo 1 pelo fato do paciente ter que usar a insulina desde o início, normalmente esse paciente tende a ser mais jovem do que o paciente diabético do tipo 2, ele é uma situação clínica que precisa de um cuidado maior no seu acompanhamento no sentido de manter a glicemia bem controlada, ter uma série de cuidados com órgãos que são mais sensíveis ao efeito da glicemia, com a questão da avaliação dos rins, dos olhos, da circulação. Quando a gente fala de diabetes grave, normalmente nós não estamos falando especificamente do fato de ser tipo 1 ou tipo 2, mas sim de como o controle da glicemia daquele paciente permitiu ou não prevenir problemas relacionados ao diabetes. Então se o paciente não tem uma glicemia muito bem controlada e deixa essa situação durante muito tempo, isso tende a começar a gerar problemas relacionados com a visão, particularmente na retina, na função do rim, eventualmente problemas cardíacos, problemas circulatórios, problemas neurológicos. Então a gente costuma dizer que o diabetes é grave quando ele está evoluindo para este tipo de complicação, sendo que algumas dessas complicações são reversíveis, a gente consegue voltar atrás ajustando o tratamento e outras infelizmente não, outras são irreversíveis, são complicações que quando se instalam a gente não tem como voltar atrás. Eu diria que o tipo 1 é um diabetes que precisa de um cuidado mais específico, necessita de um cuidado maior, mas ambos os tipos de diabetes sendo bem acompanhados a gente consegue evitar a maioria dos problemas e evitar que se torne um diabetes mais grave.

Olga Goulart – O diabetes não tem cura, isso é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Infelizmente é verdade. Na verdade, o que a gente tem hoje em dia são algumas tentativas de procedimentos que ajudam a melhorar o controle da glicemia, ou eventualmente fazer o que a gente chama de remissão, que é você trazer a glicemia para um valor normal e aí o principal evento seria a cirurgia bariátrica ou metabólica, um paciente com excesso de peso quando você faz o procedimento cirúrgico além da perda de peso você vai estar modificando o trânsito do intestino, a forma como o nosso intestino vai absorver os alimentos e isso tem um efeito benéfico sobre a glicemia. Eventualmente, existem situações em que o paciente era diabético antes da cirurgia no sentido de que usava medicações, seja comprimido, seja insulina, depois da cirurgia ele diminuiu a quantidade de medicações ou eventualmente até parou de usar, isso com um paciente diabético do tipo 2, mas isso não quer dizer que ele resolveu o problema que causou o diabetes, porque o que causou o diabetes nesse paciente foi a diminuição da produção da insulina pelo pâncreas e isso vai manter-se da mesma forma. Então este paciente ele precisa manter os efeitos da cirurgia, no caso da perda de peso especialmente, para poder manter esse benefício a médio e longo prazo. 

O que a gente tem de pesquisa, existem alguns grupos aqui no Brasil que são até grupos bastante avançados nestas pesquisas, são pesquisas chamadas de células tronco para a gente poder tentar repovoar o local do pâncreas que é um órgão que a gente tem no abdome onde a insulina é produzida, que são as chamadas ilhotas. Então hoje em dia tem pesquisas com células tronco para tentar repovoar este local que produz a insulina, que são as chamadas células beta do pâncreas, para fazer com que estas células regeneradas elas consigam voltar a produzir insulina e com isso evitar que o paciente precise da medicação para controlar a glicemia. Infelizmente estas pesquisas estão em andamento e devem demorar um pouquinho ainda para ter um resultado que a gente considere definitivo, mas o que a gente tem visto em congressos científicos e algumas discussões são perspectivas bastante promissoras neste campo, mas ainda não tem como dizer que existe uma cura para o diabetes.

Olga Goulart – Doutor, é mito ou é verdade que gestantes tem predisposição ao desenvolvimento do diabetes?

Dr. Joaquim Custódio – A gestação é um período especial da vida da mulher em que a placenta, que é um órgão criado pela natureza para nutrir o bebê e para fazer esta interação entre a mãe e o feto. A placenta é um órgão bastante dinâmico que tem uma produção de várias substâncias, incluindo hormônios que podem sim interferir em alguns aspectos do metabolismo, incluindo o controle da glicemia. Então hoje em dia nós sabemos que existe uma entidade que é o diabetes gestacional que pode acontecer em pessoas que não tinham diabetes antes, ou seja, paciente que tinha uma glicemia normal ela engravida e ao longo da gestação ela pode desenvolver alterações metabólicas e com alguns critérios você define o diagnóstico de diabetes gestacional. Então assim, a gestação é uma situação que favorece um pouco mais a ocorrência de alterações da glicemia.

Olga Goulart – Os critérios utilizados para o diagnóstico do diabetes gestacional é o mesmo para o diabetes em geral, isso é mito ou é verdade?

Dr. Joaquim Custódio – Não, não são os mesmos, isso é um mito, inclusive são critérios mais rígidos em relação ao nível de glicemia e inclusive de como controlar este diabetes. São duas sociedades que têm pontos de vista um pouco diferentes, mas seria uma glicemia entre 95 e 105 já seria diagnóstico de diabetes gestacional, enquanto o diabetes do adulto, diabetes não relacionado com a gestação, seria acima de 126. 

A questão do diabetes gestacional também tem que ver com o tratamento. Muitas gestantes que entram no critério do diabetes gestacional diferentemente no caso do diabetes do adulto que normalmente você não consegue controlar apenas com a alimentação, você consegue controlar quando está antes do diabetes, que a gente chama de pré-diabetes, mas quando entra no diabetes propriamente dito você não consegue controlar mais. No diabetes gestacional você tem uma parcela razoável de pacientes que conseguem controlar bem com o simples fato de ajustar a alimentação e fazendo isso você tem um controle mais adequado. Hoje em dia inclusive é recomendação expressa dos obstetras de fazer a avaliação da glicemia durante a gestação, é obrigatório para qualquer gestante.

Olga Goulart – É verdade que o diabetes gestacional pode desaparecer após o parto, doutor, ou é mito?

Dr. Joaquim Custódio – Isso é verdade. Quando você tem o parto com a saída do feto e da placenta, você deixa de ter aqueles elementos que estavam influenciando o metabolismo da glicemia que geraram o diabetes gestacional, como eu falei são peptídeos, são proteínas, são hormônios produzidos pela placenta. Então quando você faz após o parto a retirada da placenta acaba melhorando essa glicemia. Mas o que nós já sabemos é que a paciente que teve diabetes gestacional e que melhorou a glicemia após o parto ela tem que manter uma vigilância constante a médio e longo prazo porque a chance dela se tornar diabética no futuro aumenta. Então a ocorrência do diabetes gestacional é um fator de risco para se desenvolver o diabetes no futuro, mas quando a paciente desenvolve o problema da glicemia durante a gestação, normalmente após o parto a glicemia volta ao normal sem precisar utilizar nenhuma medicação.

Olga Goulart – Então um dos tipos de diabetes é possível que a gente possa evitá-lo?

Dr. Joaquim Custódio – Na verdade, hoje em dia a gente tem com os dados mais recentes inclusive da Federação Mundial de Diabetes, que mostram que nós temos mais de 400 milhões de diabéticos no planeta e 14 milhões de diabéticos no Brasil, hoje em dia as organizações de diabetes no mundo têm trabalhado muito no contexto de evitar o diabetes. Nós temos uma massa muito grande de diabéticos e se a gente não se cuidar a gente vai ter cada vez mais. 

Como é que a gente vai evitar o diabetes? A gente tem que analisar e saber reconhecer quais são os fatores de risco para o diabetes e tentar trabalhar com esses fatores para evitar que a pessoa desenvolva o diabetes no futuro, então o diabetes gestacional é um exemplo. A mulher que tem o diabetes gestacional tem que se cuidar mais no sentido de cuidado com atividade física, cuidado com a alimentação, para evitar a ocorrência de diabetes no futuro. Pessoas com sobrepeso e obesidade a gente sabe que há uma relação muito direta e muito clara com o surgimento de diabetes no futuro. Pessoas com histórico familiar de diabetes na família têm uma maior chance de serem diabéticos no futuro. Então hoje em dia a gente tem pessoas e aí existe um critério que a gente chama de síndrome metabólica, que são pessoas com excesso de peso, que eventualmente já têm pressão alta, algum problema de colesterol e que têm um risco maior de desenvolver o diabetes. 

Então hoje em dia tem muito trabalho, as sociedades de especialistas têm trabalhado muito no contexto da gente poder tratar bem as pessoas que já são diabéticas e tentar evitar que esses pacientes que a gente sabe que têm predisposição ao diabetes não se tornem diabéticos. Aí certamente é um dos grandes desafios da saúde pública tanto do nosso país quanto do planeta no século XXI vai ser a gente conseguir tentar parar esta epidemia de diabetes que tem crescido cada vez mais em todas as partes do planeta. Então certamente é possível evitar o diabetes, mas é preciso um esforço muito concentrado para que isso seja possível.

Olga Goulart – Conversamos com o doutor Joaquim Custódio, especialista em endocrinologia e metabologia. Doutor, muito obrigada e até a próxima.