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Tema: Infertilidade

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Olga Goulart – Nos dias de hoje muitos casais vem retardando a chegada dos filhos e, muitas vezes, no momento em que decidem gerar o bebê, pode encontrar dificuldade na realização deste sonho. Insegurança, sensação de impotência, culpa e medo são sentimentos comuns para quem enfrenta o problema da infertilidade. Para esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre o assunto quem conversa conosco é a doutora Ana Paula Leal, especialista em ginecologia e obstetrícia, pós-graduada em reprodução assistida.

Doutora, vamos explicar inicialmente o que é a infertilidade?

Dra. Ana Paula Leal – Infertilidade é a dificuldade do casal engravidar no período de um ano, tendo relações frequentes e sem uso de método contraceptivo. Então se ao longo desses 12 meses não ocorre gestação, devemos partir para investigação da causa da infertilidade.

Olga Goulart – O problema está mais relacionado ao homem ou a mulher, ou os dois?

Dra. Ana Paula Leal – Na verdade a mulher contribui com 40% das causas de infertilidade e o homem representa também mais ou menos 40%. Quando a gente faz a investigação a gente tem que investigar o casal, tanto o homem quanto a mulher.

Olga Goulart – Como descobrir, doutora, que uma pessoa é infértil, existe uma idade em que a gente deva se preocupar mais?

Dra. Ana Paula Leal – Existem alguns exames que são direcionados para a gente investigar a infertilidade. Então quando a gente investiga tem alguns exames específicos para a mulher e alguns exames específicos para o homem. A gente tem que se preocupar com a idade, principalmente na mulher, porque a idade é um fator crucial na fertilidade da mulher, as mulheres já nascem com uma quantidade específica de óvulos, a gente vai perdendo esses óvulos ao longo da vida e esses óvulos vão também envelhecendo, então vão perdendo a qualidade para depois a gente tentar engravidar.

Olga Goulart – Doutora, quando falamos em preservar a fertilidade tanto para o homem quanto para a mulher, o que significa isso?

Dra. Ana Paula Leal – Hoje dispomos de técnicas que a gente pode fazer o congelamento tanto do sêmen quanto dos óvulos para serem usados futuramente. 

Olga Goulart – Doutora, o uso de pílula anticoncepcional por muitos anos ajuda na preservação dos óvulos ou pode causar infertilidade?

Dra. Ana Paula Leal – Essa é uma dúvida muito frequente. As mulheres acham que por elas terem usado durante muito tempo um anticoncepcional que quando ela para ela vai ter dificuldade para engravidar. Na verdade, o problema é a idade em que você para o anticoncepcional. Então a idade é um fator decisivo na sua fertilidade. Então cria-se uma falsa impressão que foi o anticoncepcional que causou a infertilidade.

Olga Goulart – Quais são as opções atualmente de tratamento para a infertilidade? 

Dra. Ana Paula Leal – O tipo de tratamento vai depender do diagnóstico de infertilidade do casal após aquela investigação dos exames que são feitos. Podemos fazer inseminação intrauterina, fertilização in vitro, ou até mesmo uma programação do período fértil para o casal ter relações sexuais em casa.

Olga Goulart – E como é feita essa inseminação intrauterina?

Dra. Ana Paula Leal – A inseminação intrauterina é um procedimento de baixa complexidade, na qual o homem vai fazer a coleta do sêmen, a gente vai fazer o preparo deste sêmen, melhorando a qualidade e a concentração dos espermatozoides, e a gente introduz um cateter dentro do útero da mulher onde é depositado este material. Então, na verdade, a gente encurta o caminho do espermatozoide até a chegada dentro do útero e a partir daí os espermatozoides vão em direção as trompas para fazer o encontro com o óvulo.

Olga Goulart – Doutora, a fertilização in vitro, mais conhecido por nós todos como famoso bebê de proveta, como é que é feito este procedimento?

Dra. Ana Paula Leal – Bem, na fertilização in vitro a gente usa medicações com a mulher para poder estimular o ovário para a gente conseguir a quantidade maior de óvulos, quando esses folículos estão num tamanho maduro a gente faz essa coleta dos óvulos e leva para o laboratório e aí artificialmente a gente faz o encontro do óvulo com os espermatozoides. Depois que estes embriões são formados a gente faz a transferência do embrião e coloca dentro do útero da mulher para ela ter a oportunidade de gestar.

Olga Goulart – Tem alguma garantia para a mulher ou para o casal nesta condição de engravidar doutora? Qual a taxa de sucesso?

Dra. Ana Paula Leal – Pois é, infelizmente nenhum tratamento de infertilidade tem chance de 100%. A taxa de sucesso vai depender muito da idade da mulher, do diagnóstico da infertilidade, mas em linhas gerais a gente consegue chegar até 60% de chance de gravidez, então a gente aumenta bastante a possibilidade daquele casal conseguir a gravidez tão desejada.

Olga Goulart – Atualmente se fala muito sobre o congelamento de óvulos, doutora. Por que que algumas mulheres estão optando por este método?

Dra. Ana Paula Leal – Hoje a gente dispõe da técnica para a gente fazer o congelamento dos óvulos em temperatura muito baixa para a gente fazer o uso futuramente. Se uma mulher pensa em adiar a gestação por motivos de trabalho ou porque ainda não encontrou o parceiro ideal, a criopreservação dos óvulos deve ser pensada. O ideal é que essa coleta de óvulos seja até os 35 anos, quando as taxas de gravidez são melhores. Então assim, se uma mulher congelar os óvulos aos 35 anos, mesmo que ela venha descongelar seus óvulos e tentar engravidar aos 40 ou 42 anos, a chance de gravidez dela permanece a mesma de uma mulher de 35 anos, pois a gente vai levar em consideração a idade que o óvulo foi congelado. 

Outras situações que a gente pode fazer o congelamento de óvulos para uma tentativa futura de gravidez, são nas pacientes que vão passar por um tratamento de câncer ou de alguma doença que pode afetar a fertilidade, porque a gente sabe que a quimioterapia e radioterapia pode agredir o ovário e afetar a fertilidade, seja de forma transitória ou definitiva. E aí a gente fazendo o congelamento a gente tem uma possibilidade de depois dessa paciente poder engravidar.

Olga Goulart – A remoção dos ovários significa infertilidade, doutora?

Dra. Ana Paula Leal – Nos casos em que as mulheres fazem a retirada apenas dos ovários e consegue fazer a preservação do útero, existe a possibilidade da gravidez através de óvulos doados. Então óvulos de outra mulher, a gente faz a fecundação do sêmen do parceiro e aí depois consegue implantar no útero dela para ela poder gerar.

Olga Goulart – Doutora, aqui no Brasil é legal a barriga de aluguel ou a barriga solidária? Em que situações esse procedimento pode ser utilizado?

Dra. Ana Paula Leal – Barriga solidária são as mulheres que emprestam seu útero para casais que não podem gerar um filho. No Brasil a lei faz com que esse deva ser um ato voluntário e não pode ter um caráter comercial, por isso a gente não usa mais o termo barriga de aluguel, a gente fala de barriga solidária ou útero de substituição. O casal vai usar os gametas deles, então o óvulo e o espermatozoide pertencem ao casal e são implantados dentro do útero da mulher que vai gerar a gravidez durante aquele período. Outra coisa é que é preciso um grau de parentesco do casal com a barriga que vai gerar a gestação. Então este grau de parentesco pode ser até o quarto grau, pode ser uma tia, uma prima, irmã, mãe, mas tem que ter algum grau de parentesco com o casal.

Olga Goulart – A pessoa tem que ter uma idade mais ou menos fixada?

Dra. Ana Paula Leal – Não, até os 50 anos e tendo uma saúde que permita uma gravidez.

Olga Goulart – Os casais homoafetivos também podem se beneficiar das técnicas de reprodução assistida, é muito comum já?

Dra. Ana Paula Leal – Sim, hoje a gente tem um número maior de pacientes nas clínicas de reprodução de casais homoafetivos que hoje a gente consegue beneficiar esses casais com as técnicas de reprodução. Então através de óvulos doados, banco de sêmen, a depender do perfil deste casal a gente consegue fazer com que eles também possam ter uma gravidez. 

Olga Goulart – Bom, no caso deste banco de óvulos ao qual a senhora se refere, como é que funciona o procedimento de doação de óvulos e de espermatozoides?

Dra. Ana Paula Leal – A doação de óvulos e espermatozoides no Brasil é feita de forma anônima e também sem fins lucrativos. Tanto a receptora quanto a doadora, seja o doador do óvulo ou do espermatozoide, eles não são conhecidos e vice-versa, então não sabe para quem vai e nem quem recebe também sabe de onde veio. As clínicas conseguem, o médico vai tentar ajustar as características físicas e tipo sanguíneo do casal que vai receber com o doador. E aí existe algumas normas que são feitas pelo Conselho Federal de Medicina que a gente tem que seguir.

Olga Goulart – E o tratamento para a infertilidade tem cobertura pelos planos de saúde?

Dra. Ana Paula Leal – Infelizmente não. E talvez o custo seja um dos maiores impedimentos que os casais ainda enfrentam para poder realizar o sonho de engravidar.

Olga Goulart – Ok. Conversamos com a doutora Ana Paula Leal, especialista em ginecologia obstetrícia. Doutora, muito obrigada e até a próxima oportunidade.