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Tema: Depressão

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Olga Goulart – Uma tristeza que não passa, que tira a vontade de trabalhar, estudar e de socializar. Choro, solidão e desespero se tornam rotina. É como se a pessoa perdesse o rumo, a vida perdesse a graça. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão é considerada como o mal do século, uma em cada 10 pessoas sofrerá de depressão em algum momento da vida. A doença que atinge mais de 240 milhões de pessoas é uma das principais causas de morte em todo o planeta. Para esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre o assunto, convidamos o médico André Gordilho, especialista em psiquiatria.

Doutor, primeiramente vamos explicar aos nossos internautas o que é a depressão e qual a diferença, como é que se diferencia uma depressão com o período de tristeza passageira?

Dr. André Gordilho – A tristeza é um sentimento que todos nós temos, é um sentimento normal, as vezes a gente fica triste com alguns eventos da vida, com eventos do dia-a-dia que podem acontecer, uma perda e etc... Quando essa tristeza começa a se arrastar e ela é associada a outros sintomas a gente pode pensar num quadro depressivo. Então a depressão na verdade é caracterizada por alguns critérios diagnósticos, então você tem que ter tristeza ou anedonia que é a perda de capacidade de sentir prazer. Interessante é que nem sempre a tristeza tem que estar presente, as vezes a perda da capacidade de sentir prazer, a perda da graça na vida é suficiente como sintoma principal. Então nem sempre a tristeza é necessária como sintoma se você tiver presente a anedonia que é a perda de prazer. Associada a tristeza você tem outros sintomas, como humor deprimido na maior parte do dia, interesse ao prazer diminuído, perda de peso, insônia, hipersonia ou aumento do sono, agitação ou retardo psicomotor, fadiga, perda de energia, a pessoa se sente sem forças para fazer as atividades do dia-a-dia, na maioria das vezes essa pessoa fica prostrada no leito sem nem conseguir as vezes tomar banho, a diminuição da capacidade de pensar, se concentrar, pensar e fazer as coisas fica muito difícil, resolver às vezes pequenos problemas, as vezes vai comparar matemática, uma solução para qualquer pequeno problema se torna extremamente difícil e as vezes pensamentos decorrentes de morte, pensamentos suicidas também podem acontecer.

Então é um conjunto de sinais de sintomas que caracterizam o quadro depressivo e esses sintomas tem que ter uma duração mínima de pelo menos 2 semanas para caracterizar um quadro depressivo. Obviamente que se o paciente tomar uma atitude mais grave como uma tentativa de suicídio isso pode ser revisto e antecipar esse prazo de 2 semanas, digamos assim.

Olga Goulart – Doutor, quais são as causas dessa doença, quais são os motivos, existem motivos comuns a várias pessoas que levam a essas pessoas a entrarem em depressão?

Dr. André Gordilho – Olha, a causa, a gênese da depressão ainda não é 100% elucidada, existem hipóteses que podem gerar o quadro depressivo. Então a hipótese mais aceita ainda até hoje em dia é a hipótese monoaminérgica, ou seja, no caso é uma depressão de determinado neurotransmissor, uma diminuição de determinados neurotransmissores, nas fendas sinápticas, na região dos neurônios, com isso fazendo com que o sistema nervoso central não funcione corretamente e leve a um quadro depressivo.

Existem causas genéticas, causas ambientais, uso de medicações, doenças associadas que podem contribuir também, assim como estudos de imagem vem demonstrando que pode ter também alteração e involução de partes cerebrais, como por exemplo os hipocampos eles aparecem diminuídos em pacientes com depressões crônicas, como se perdessem quantidade de substância, levando a uma perda de substância desse local do cérebro.

Então a causa é multifatorial, você pode ter componentes genéticos, componentes químicos, componentes ambientais que geram a patologia.

Olga Goulart – Uma eventual prescrição de medicamento, por exemplo, seria para reestabelecer esta condição do organismo, essa produção que falta no cérebro que nós produzimos naturalmente, seria mais ou menos assim?

Dr. André Gordilho – Isso. Os antidepressivos hoje em dia todos eles se voltam para o aumento dessas monoaminas, alguns com mecanismos de ação diferentes, mas a grande maioria se volta para este tipo de objetivo. Aí o que vai variar as vezes é o quão incisivo ele pode ser ou não. Alguns tendem a agir em um neurotransmissor ou outro, em mais de um outro prazo de receptores. Então isso pode fazer mudança. Alguns geram mais efeitos colaterais, outros menos, muitos interessam mais porque levam a ganhar um pouco mais de peso, outros fazem perder peso, outros tendem a atuar mais nas depressões em que o paciente está sem energia, outro nas mais melancólicas, depende do quadro do paciente, depende do tipo e de como essa depressão vai se exprimir para a gente escolher a medicação correta para este paciente ou a mais indicada para ele. 

Olga Goulart – Doutor, quem está mais sujeito a desenvolver a depressão?

Dr. André Gordilho – Olha, os fatores de risco podem ser o sexo, a idade, o histórico familiar. Então por exemplo, a mulher tem 2 vezes mais chances de desenvolver a depressão do que os homens, a maior frequência de início está entre os 20 e os 40 anos. Quem tem um histórico familiar de depressão na família tem um risco entre 1,5 e meio e 3 vezes maior do que quem não tem. Pessoas separadas ou divorciadas tendem a relatar índices mais elevados de depressão. Ou seja, existe uma possibilidade de associação com o risco aumentado de 6 meses após o puerpério. Pessoas que sofrem muitos eventos de vida negativos ou morte precoce dos pais existe uma teórica associação que não é necessariamente comprovada. Mas existem vários fatores que podem influir para que a pessoa desenvolva um quadro depressivo.

Olga Goulart – Bom, um quadro depressivo não tratado pode deixar a pessoa incapacitada de várias atividades, não?

Dr. André Gordilho – Sim, sim. Entre as 10 maiores causas de incapacidade no mundo segundo a OMS, a depressão está entre elas, está entre as primeiras inclusive, os quadros depressivos são causadores de uma grande incapacitação porque você ao não ser tratado, ao não estar bem, você não consegue desenvolver, você não consegue produzir, isso causa um grau alto de absenteísmo, de ausência do trabalho, gera também problemas familiares porque a pessoa se torna ausente também dentro de casa e além do risco de adoecer mais por descuido porque a pessoa pode descuidar mais da própria saúde e além do próprio risco de suicídio que pode ter.

Olga Goulart – A depressão pode ocorrer em qualquer ciclo da vida pelo que você relata, crianças podem ficar deprimidas, doutor?

Dr. André Gordilho – Também podem, mas o funcionamento da criança é diferente, o modo de abordagem da criança é diferente, o tratamento da criança é feito de forma diferente, mas ela também pode se deprimir em alguma época da vida.

Olga Goulart – Como os familiares podem identificar, doutor, o comportamento de um deprimido?

Dr. André Gordilho – Olha, isso não só para depressão como para qualquer problema mental, é a mudança do comportamento da pessoa. No caso da depressão geralmente às vezes se percebe a pessoa mais isolada, mais chorosa, sem energia, tendendo a ficar mais deitado, com a conversa as vezes mais desesperançosa, às vezes se descuida da aparência, se alimenta menos, perde peso, e isso já atende o sinal para aqueles pacientes que não buscam ajuda, que não conversam com a família, já acende o sinal de alerta para dizer que tem alguma coisa errada.

Olga Goulart – Muito comumente as pessoas que sofrem de depressão as vezes não aceitam essa condição da doença, os familiares inclusive tentam alertar, mas o depressivo não reconhece. Quando é que deve procurar uma ajuda médica, doutor?

Dr. André Gordilho – Não é só as vezes o paciente que não reconhece não, muitas vezes a família não reconhece. Tem um estudo da década de 90 que mostra que dentre as pessoas que foram entrevistadas e foi um número de pessoas bastante significativo, 71% dessas pessoas achavam que a depressão era devido a fraqueza emocional, como se fosse culpa da pessoa e apenas 10% tinha a base biológica que envolvia o cérebro. Para você ver como é que funcionava e isso vem melhorando com o passar do tempo, mas ainda persistem muitos preconceitos e muita dúvida sobre se não é frescura, se não é senso de caráter ou coisas deste tipo. Ao perceber que o paciente está deprimido deve abordá-lo e ver o que ele tem, o que ele está sentindo e se você perceber que ele não está legal, a família tem que chegar junto, acolher o seu familiar e sugerir encaminhá-lo para um psiquiatra para poder fazer uma avaliação mais adequada e ver que realmente ele está com um quadro depressivo ou com algum outro problema, com um quadro de ansiedade ou um quadro de uma depressão bipolar, enfim, alguma coisa que possa estar causando problema.

Olga Goulart – Então a família tem um papel primordial nessa ajuda, a uma pessoa deprimida a sair dessa crise mais rapidamente?

Dr. André Gordilho – Sim, sem dúvida! Porque a família em geral é a base que sustenta a gente, é quem está com a gente todo o dia, é quem está do lado. A família muitas vezes infelizmente tem o papel de atrapalhar “ah, você vai para o psiquiatra”, “ah, você não precisa disso”, “psiquiatra é médico de maluco”, “tem algum motivo para você está se sentindo desta maneira, você tem tudo na vida, tem um trabalho bom, você tem uma família boa, porque você está assim? Só depende de você para você melhorar”. Então uma pessoa que já não consegue ficar bem, a pessoa que já está se sentindo mal, já está com a autoimagem prejudicada, já começa esse sentimento de culpa por estar se sentindo assim, a pessoa dá esse “apoio moral” para essa pessoa e termina de desabar.

Olga Goulart – Seria um estimulo negativo, portanto?

Dr. André Gordilho – Extremamente negativo! O papel da família é dar o suporte “olha, pode acontecer, pode acontecer com qualquer um, isso é um problema médico, um simples tratamento ajuda a grande maioria das pessoas, vamos lá no médico para conversar e ver o que está acontecendo” e justificar o problema. 

Olga Goulart – No que se baseia um bom diagnóstico, doutor? Há algum tipo de exame específico para se detectar a doença?

Dr. André Gordilho – Os exames servem mais como excludentes de outra patologia, são extremamente importantes para afastar determinados problemas, como por exemplo o hipotireoidismo, porque as vezes o paciente com hipotireoidismo ele tem sintomas depressivos. Mas não tem exames que você possa fazer para te assinalar “agora aqui olha, está vendo?, o exame está aqui, Você está com depressão” isso não tem. Mas os exames são importantes para afastar outros problemas que podem gerar um quadro depressivo ou piorar.

Olga Goulart – Doutor André, a gente houve muito falar em depressão pós-parto. O quê que leva a mulher a desenvolver este problema após o nascimento do bebê e quais são os fatores de risco?

Dr. André Gordilho – Também não é tão elucidado exatamente o porquê. Há alterações hormonais que acontecem no período pós-parto que podem ter influência, na própria adaptação ao pós-parto, ao nascimento da criança, ao seu modo de vida com aquela nova criança que está ali, a pessoa dorme mal, a pessoa passa a viver os horários da criança e às vezes essas pessoas que tem uma predisposiçãozinha ou que não tem talvez uma maturidade ou preparo para lidar com aquilo, pode desenvolver sim um quadro depressivo.

O diagnóstico ele é feito da mesma maneira que faz um diagnóstico de depressão, com os mesmos critérios diagnósticos, mas como é feito no período de até 6 meses do puerpério é caracterizado como uma depressão pós-parto, ela deve ser tratada da mesma maneira que uma depressão normal seria tratada, previamente tomar cuidado com a amamentação, escolher o tratamento de uma forma adequada e tratar do mesmo jeito que trataria uma depressão comum. Um dado importante aí para qualquer depressão é o tratamento correto, ou seja, é muito comum, Olga, você começar a tratar um quadro depressivo e o paciente com um mês está melhor e aí ele abandona o tratamento e para. Isso não deve fazer isso de maneira nenhuma, até porque o o tratamento ele deve durar a média de 1 ano o primeiro episódio. Porque a gente sabe que 50% das pessoas que desenvolveram um quadro depressivo podem recair. Então mesmo com o tratamento feito de forma adequada tem uma possibilidade de 50% de recair e se você está no segundo episódio depressivo aí sua taxa cai para 70%, se você tem o terceiro episódio a doença já está praticamente crônica, é acima de 90% a chance de recaída. 

Então, a depressão é uma doença que tem cura, porém deve ser tratada corretamente, mas quando você não trata adequadamente, ou enfim a pessoa já tem diversas recaídas aí o tratamento deve ser de manutenção e crônico. Por isso a importância do tratamento correto e pelo tempo correto desde o primeiro episódio e não essa coisa de “eu já estou bom” e deixar.

Olga Goulart – Doutor, um transtorno bipolar teria alguma relação com a depressão?

Dr. André Gordilho – O humor é dividido basicamente em dois polos, o polo positivo que seria o polo do humor eufórico e o polo negativo que seria o polo da depressão. A depressão pode ser caracterizada como unipolar que é a depressão que estamos falando aí, ou seja, a pessoa deprime e depois volta ao normal e o bipolar ele deprime e pode fazer período de euforia, períodos no qual ele vai estar com a disnibição excessiva, que ele vai estar com pressão por falar muito grande, que ele vai estar com a diminuição da necessidade de sono, cheio de energia e aí ele pode começar a ter também delírios de grandeza, gastos excessivos, aumento da irritabilidade, explosividade, se expondo a situações de risco com mais frequência e chegando até a quadros psicóticos também. Então o transtorno bipolar faz parte dos transtornos de humor como a depressão, mas só que ele tem essa característica de o paciente fazer períodos de euforia.

Olga Goulart – Certo. Quais as opções de tratamento disponíveis para depressão e a importância de associar a este tratamento talvez medicamentoso outro tipo de terapia?

Dr. André Gordilho – O tratamento principal é feito à base de medicações, farmacologia através dos antidepressivos, pode às vezes tratar com um antidepressivo, associação de antidepressivos, potencializar antidepressivo com outros agentes, com estabilizadores de humor ou com outras medicações que podem ser utilizadas. Então você tem diversas maneiras de tratar com medicação. Sem medicações você pode tratar com a estimulação magnética transcraniana, que é um tratamento que é feito através de estímulos magnéticos que funcionam em determinadas áreas do cérebro, geralmente o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo, você modula a atividade neuronal nesta região estimulando os neurônios nessa região, fazendo com que esse paciente melhore da depressão. É um tratamento físico, não invasivo, porque você faz acordado, não precisa tomar anestesia, você chega, faz a aplicação e vai para casa. São feitas sessões diárias durante um período e o paciente pode ser tratado desta maneira. Outra opção também é a associação, as vezes o paciente responde parcialmente a medicação e aí você pode associar a estimulação magnética, ou então o paciente é muito sensível a medicação, ele não tolera os efeitos colaterais, ele não consegue usar nenhum remédio e é também uma outra possibilidade para tratamento da estimulação magnética. E temos também a eletroconvulsoterapia que também é um tratamento excelente que é feito através da colocação de eletrodos na região temporoparietal e onde é aplicada uma corrente elétrica e essa corrente elétrica vai gerar alterações intracranianas e que vai levar a uma melhora do quadro depressivo. Então são basicamente as opções e agora está chegando, por exemplo, a estimulação magnética profunda, porque a estimulação magnética transcraniana tem limitação de alcance intracraniano e a estimulação magnética transcraniana profunda ela já permite um aprofundamento maior do estímulo magnético e consequentemente atingindo áreas que antes não atingiam de forma direta e com uma melhora da eficácia também.

Olga Goulart – Bom, no caso da terapia ela deve ser feita por um psicólogo ou por um psiquiatra? Qual que é a diferença entre estes profissionais e porque que existe tanto preconceito na sua opinião na hora de se procurar um psiquiatra, doutor?

Dr. André Gordilho – A terapia pode ser feita tanto pelo psicólogo quanto pelo psiquiatra. Tem psiquiatra que se dedicam a psicoterapia e os psiquiatras tendem a deixar um pouco de lado as vezes até a própria farmacologia e os tratamentos se dedicam a psicoterapia, psicanálise, existem diversas linhas de terapia. O psicólogo em geral é o profissional que atua fazendo a psicoterapia, geralmente a gente trabalha em parceria, além da medicação, as vezes o paciente tem indicação também para estar fazendo a psicoterapia e trabalhando eventos de vida que podem estar contribuindo para a manutenção do estar depressivo, a manutenção da doença e essa terapia vai ajudar ele a reconhecer a modificar e a trabalhar esses eventos, esses problemas que venha a ter.

Em relação ao preconceito eu acho que isso já vem de muito tempo, porque a psiquiatria está associada de forma chula a maluquice, assim “psiquiatra é coisa de maluco, então eu não sou maluco e não vou no psiquiatra”, aí as pessoas aceitam as vezes “no psicólogo eu até vou, mas no psiquiatra eu não vou, o psiquiatra é coisa de maluco”. Lembrando que o psicólogo não é médico, o médico é o psiquiatra. Então é o psiquiatra que vai poder passar o remédio, vai poder fazer os procedimentos assim como uma pessoa mais indicada para fazer o diagnóstico e a partir daí ele vai encaminhar para um terapeuta adequado. É um trabalho de parceria e não de concorrência entre o psiquiatra e psicólogo. Enfim, essa coisa do preconceito eu acho que vem dessa associação com a loucura. Ou seja, os problemas psiquiátricos são problemas médicos como outro qualquer, a depressão é um problema médico como outro qualquer e ninguém tem vergonha de ir para o médico porque está diabético, ninguém tem vergonha de ir para o médico porque está com pressão alta, ninguém tem vergonha de ir para o médico porque está com dor no joelho, não é vergonha, não é problema nenhum adoecer. Você falou, em relação a OMS aqueles dados da depressão, também tem um dado da OMS em que 25% da população mundial em algum momento da vida vai desenvolver algum transtorno mental e se todo mundo tiver vergonha de procurar um psiquiatra, vão ficar todos doentes.

Olga Goulart – Agora doutor, existem níveis diferentes da evolução do problema a depender da pessoa e consequentemente um tempo diferente e um tratamento diferente também para essa pessoa, agora é um tratamento muito caro? É possível realizá-lo através de planos de saúde ou mesmo através do Sistema Único de Saúde (SUS)?

Dr. André Gordilho – Todas estas patologias têm níveis, na depressão você pode ter depressão leve, depressão moderada, depressão grave, depressão grave com sintomas psicóticos, para cada tipo desse é um prognóstico, é uma evolução, é uma necessidade, é uma indicação de tratamento diferente. 

Em relação a custos, não é nenhum custo absurdo. O custo para o tratamento é o custo da medicação, é o custo do tempo que você vai ter que fazer o tratamento e o custo do profissional, os convênios oferecem também tratamentos e o Sistema Único teoricamente também oferece também.

Olga Goulart – A depressão, doutor, tem cura ou um controle, a pessoa pode ter recidiva, por exemplo, do problema?

Dr. André Gordilho – A depressão pode ter cura sim, eu já falei antes daquela coisa de 50% das pessoas, mas só que a partir do momento que você tem o primeiro episódio depressivo você tem 50% de chance de desenvolver o segundo e depois do segundo 60% de desenvolver o terceiro e depois do terceiro a doença cronifica, então por isso a importância de tratar adequadamente desde o primeiro episódio. Uma boa parcela dos pacientes tem cura, mas os que não se curam tem tratamento e podem levar uma vida normal usando medicação.

Olga Goulart – Bom, como são muitos fatores que a gente já aprendeu ao longo da entrevista e das suas respostas, doutor, nós podemos quase que afirmar que nós todos estamos sujeitos a depressão, como você mesmo falou de um estudo recente, em algum momento da vida a gente pode apresentar algum sintoma e portanto, não tem como evitar, sobretudo em tempos de crise essa condição da depressão, o importante é saber identificar e procurar ajuda médica o quanto antes.

Dr. André Gordilho – Isso. As vezes não dá para evitar nem em tempos de bonança quanto mais em tempos de crise. Então pode acontecer, principalmente quem tem a genética, quem tem predisposição para desenvolver. O importante é o diagnóstico o mais precoce possível, o tratamento o mais rápido e adequado possível e pelo tempo adequado para que esse paciente tenha maiores benefícios, porque um estudo recente mostrou que o prolongamento da depressão, a cronificação da depressão leva a atrofia dos hipocampos, ou seja, leva a alterações cerebrais, o que tem consequências lá na frente, ou seja, cognitivas, de atenção e de dificuldade que a pessoa pode ficar com sequela e sem a resolução completa do quadro, mas muitos pacientes se curam e muitos pacientes não se curam, mas eles têm tratamento e levam uma vida perfeitamente normal sem nenhum tipo de impedimento de fazer absolutamente nada, só que tendo que tratar pelo resto da vida.

Olga Goulart – Ótima entrevista. Conversamos com o médico André Gordilho, especialista em psiquiatria. Doutor, muito obrigada e até a próxima oportunidade aqui no Viva Mais Viva Melhor.