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Vídeo Completo - Série Hepatite C

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Viva Mais Viva Melhor – O que é a hepatite C?
Dr. André Lyra – A hepatite C é uma doença causada por um vírus hepatotrópico, ou seja, um vírus que tem tropismo, atração pela célula do fígado, que é chamada de hepatócito. Neste órgão ele se instala e exerce sua atividade de replicação utilizando parte da estrutura da célula. São 5 os vírus hepatotrópicos: A, B, C, D e E. Todos eles podem provocar a hepatite aguda, mas somente os vírus B, C e D podem evoluir de forma crônica.

Viva Mais Viva Melhor – Qual a importância da hepatite C no Brasil e no mundo?
Dr. André Lyra – Estima-se que existam, no mundo, cerca de 170 milhões de portadores crônicos do vírus da hepatite C. No Brasil, a prevalência é de 1,5 a 2%, ou seja, entre 3 e 4 milhões de pessoas são portadores crônicos da hepatite C. A doença representa um importante problema de saúde pública, pois alguns indivíduos cronicamente infectados podem evoluir para cirrose e apresentar o carcinoma hepatocelular, complicações de grande relevância clínica. Atualmente a hepatite C já é a primeira indicação de transplante de fígado na maioria dos países, incluindo o Brasil.

Viva Mais Viva Melhor – Qual a principal forma de transmissão do vírus da hepatite C.
Dr. André Lyra – A transmissão da hepatite C ocorre principalmente por via parenteral através do sangue e dos seus derivados. A maior parte das infecções por vírus C ocorreu em consequência de transfusões sanguíneas realizadas antes de 1992. O vírus foi descoberto em 1989 e, somente a partir desta data, os testes laboratoriais para sua identificação passaram a ser desenvolvidos. Em 1992 estes testes se tornaram mais precisos, de forma que a partir daí a transmissão do vírus C com transfusão de hemoderivados caiu significativamente em todo o mundo.

Viva Mais Viva Melhor – Existem outras formas de contaminação da hepatite C?
Dr. André Lyra – Pode ocorrer contaminação através do uso de drogas ilícitas intravenosas. Também foi relatada a transmissão em consequência de procedimentos médicos ou dentários, tatuagens e piercing, mas atualmente estas formas de transmissão são também raras, uma vez que o material utilizado é habitualmente esterilizado. Vale lembrar que compartilhar material de manicure contaminado pode levar a transmissão do vírus. O Brasil, nas décadas de 70 e 80, foi muito comum a prática se utilizar um complexo vitamínico denominado Glucoenergan de forma intravenosa, compartilhando as agulhas com o objetivo de supostamente melhorar o rendimento físico, esta foi uma forma importante de transmissão do vírus em nosso meio. A transmissão sexual é descrita, porém não é considerada muito frequente. O vírus não é transmitido por alimentos, água, por meio de objetos, abraços, beijos, espirros ou tosse.

Viva Mais Viva Melhor – Como é a apresentação clínica da hepatite C?
Dr. André Lyra – A maioria dos pacientes portadores do vírus C apresenta a infecção crônica assintomática. Estes indivíduos adquiriram o vírus a muitos anos e não souberam ou porque na época não tinham como fazer o diagnóstico ou porque não apresentaram sintomas importantes. Esta evolução assintomática pode persistir por décadas ou por toda a vida. Na maior parte das vezes o diagnóstico da hepatite C é feito de forma casual, após doação de sangue ou durante exames de checkup que revelam alteração das enzimas hepáticas, particularmente a TGP (também chamada de ALT) e TGO (também chamada de AST). Se o paciente se apresentar ao médico em uma fase mais avançada da doença, já com cirrose hepática, podem ocorrer outros sintomas, como edema das pernas, icterícia (olho amarelado), ascite (líquido na cavidade abdominal), manchas vermelhas no corpo e confusão mental, dentre outros.

Viva Mais Viva Melhor – Qual é o teste que deve ser feito para definir o diagnóstico da hepatite C?
Dr. André Lyra – Deve ser solicitado o teste anti-HCV. Se estiver positivo, outro teste confirmatório, denominado de HCV RNA por PCR em tempo real, deve ser solicitado e, somente se ele vier positivo, o diagnóstico é estabelecido. Pacientes com anti-HCV positivo e HCV RNA negativo apresentaram infecção no passado e eliminaram o vírus espontaneamente ainda na fase aguda da doença, esta situação ocorre em cerca de 20 a 40% dos casos de hepatite aguda C.

Viva Mais Viva Melhor – A hepatite C pode provocar cirrose hepática?
Dr. André Lyra – Sim, mas não em todos os casos. Somente cerca de 10 a 20% dos pacientes com infecção crônica evoluem para cirrose hepática ao longo de 20 anos. Evidentemente que, como uma quantidade significativa de pessoas são portadoras do vírus, muita gente com hepatite C pode apresentar cirrose hepática.

Viva Mais Viva Melhor – Quem tem hepatite C precisa fazer uma biópsia hepática?
Dr. André Lyra – A avaliação do paciente com hepatite crônica C é realizada utilizando-se de uma análise combinada do exame clínico, exames laboratoriais e exames de imagem. É necessário definir o grau de lesão hepática que o paciente tem. Quando esta combinação acima não consegue definir com precisão, deve-se realizar uma avaliação mais específica que pode ser a biópsia hepática ou a elastografia hepática. O primeiro é um exame evasivo, que raramente pode apresentar complicações. A elastografia, por sua vez, é um exame não-invasivo, sem possibilidade de intercorrências clínicas. A decisão de utilizar um ou outro exame é feita de acordo com a disponibilidade dos métodos, do custo e da adequação dos mesmos às características físicas dos pacientes.

Viva Mais Viva Melhor – É verdade que existem novos tratamentos para a hepatite C? A hepatite C tem cura?
Dr. André Lyra – Sim. O tratamento da hepatite C, até pouco tempo atrás, era realizado utilizando uma droga principal de uso subcutâneo chamada Interferon Peguilado, em associação com outras drogas orais. Era uma terapia com eficácia, de um modo geral, baixa a intermediária e com muitos efeitos colaterais, que ocorreu em parcela significativa dos pacientes. Há poucos meses foram disponibilizados, no Brasil, combinações terapêuticas com novas drogas orais, já existes nos países do primeiro mundo, não sendo necessário mais o uso do Interferon. A posologia ficou muito mais fácil e o tempo de terapia foi reduzido das antigas 24 a 48 semanas para 12 a 24 semanas. As chances de cura do vírus com essas novas drogas variam em média de 80 a 90%, a depender das características clínicas do paciente. Para os pacientes que não têm cirrose, as chances de cura situam-se em 93 e 99% e, quando para os cirróticos, essas chances são menores. Os efeitos colaterais são na maioria dos casos leves e sem relevância clínica e dificilmente alguém precisa parar o tratamento em consequência de eventos adversos decorrentes do uso das drogas.

Viva Mais Viva Melhor – Quando é necessário realizar um transplante de fígado?
Dr. André Lyra – Existem critérios bem definidos para se indicar o transplante hepático. O fato do paciente apresentar cirrose isoladamente não é indicação de transplante. Os pacientes devem apresentar uma cirrose hepática já em fase muito avançada descompensada. Nesta situação, o fígado já não funciona adequadamente e as chances de o paciente evoluir bem sem o transplante são menores do que se ele for submetido ao procedimento.

Viva Mais Viva Melhor – Existe vacina para a hepatite C?
Dr. André Lyra – Infelizmente, não existe. Como o vírus da hepatite C tem uma elevada taxa de mutação do seu código genético até hoje não foi possível desenvolver uma vacina contra ele. Vale lembrar que existe vacina para o vírus da hepatite B e para o vírus da hepatite A.