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Tema: Prótese de Mama

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Olga Goulart – Hoje nós vamos conversar com a doutora Andrea Strauch, ela é cirurgiã plástica e vamos tratar de um tema bastante relevante que é a prótese de mama, cada vez mais procurada, eu diria até numa população ainda muito jovem.

Tudo bom doutora Andrea?

Dra. Andréa Strauch - Oi Olga, tudo bem.

Olga Goulart – Me referindo então a esta população muito jovem, eu queria saber sua opinião sobre isso, se tem alguma indicação de idade ou esta avaliação é feita sobre as condições mesmo da mama do paciente?

Dra. Andréa Strauch – A mama do paciente influencia bastante, mas a gente considera um pouquinho a idade também. Pacientes muito jovens, adolescentes, a gente não indica muito precocemente porque o paciente ainda vai crescer, a mama ainda vai mudar, então claro que não tem uma idade fixa, mas assim, menos de 15 anos a gente reconsidera algumas outras coisas. A partir de 15, 16 anos se a paciente for uma paciente bem desenvolvida, aí a gente pode pensar já na cirurgia, mas claro que cada caso é um caso. Pacientes muito idosas, não é que seja uma contraindicação, mas a qualidade da pele de uma paciente mais idosa pode influenciar também um pouquinho na cirurgia.

Então o ideal é que passe com um cirurgião plástico para que ele avalie e aí veja qual é o caso da paciente.

Olga Goulart – Achei muito importante essa sua colocação da qualidade da pele, talvez seja isso mesmo que defina o tamanho. Não adianta a paciente chegar com uma fotografia e dizer: “eu quero minha mama deste tamanho”. Existem uma série de proporções que devem ser mensuradas pelo cirurgião na hora da escolha do tamanho ideal e do formato ideal, bem como que tipo de incisão é a mais indicada para aquele paciente. Estou certa ou não?

Dra. Andréa Strauch – Está certa. Várias coisas influenciam, a qualidade da pele influencia. Então se a paciente não tem uma pele muito boa, muito firme, a tendência dessa mama cair mais precocemente é maior. O tamanho a gente leva em consideração, o tamanho do tórax da paciente, a base da mama, o tamanho da base da mama da paciente, a altura dela para a gente fazer uma coisa proporcional, não adianta uma paciente muito pequenininha, estreitinha, colocar uma prótese muito larga que vai ficar desproporcional, ela vai ficar saindo pela lateral, isso aí temos de levar em consideração. Não é só o tamanho fixo, a gente tem que ver o tórax da paciente, o tamanho da paciente e a prótese que se adapta aquilo ali. Claro que a paciente vai dizer: “eu quero aumentar muito” ou “eu quero aumentar médio”. A gente vai equalizar o que ela quer com o que é possível de acordo com o corpo dela.

Olga Goulart – Verdade. Em termos de escolha de marca, até a mídia mesmo já explorou muito este assunto, dizendo da ineficiência de algumas marcas.

Dra. Andréa Strauch – A gente teve problema com algumas próteses. O que acontece é que existem mil marcas no mercado, o que a gente precisa ver é a história da marca, cada hora aparece uma marca nova. O que a gente precisa é ter a certeza que esta marca tem qualidade. Infelizmente nem sempre a gente consegue confiar em qualquer coisa que a Anvisa libera, como aconteceu com aquelas próteses francesas PIP que alguns pacientes tiveram que ser substituídas. Eu levo um pouquinho em consideração o seguinte, eu uso as próteses que são liberadas pelo FDA, que é como se fosse a Anvisa, só que é a Anvisa dos Estados Unidos, que ela é um pouquinho mais rígida. Mas o importante é que a gente use uma marca que já esteja no mercado, que tenha garantia, não pode usar qualquer marca que a gente nunca ouviu falar só porque é mais barata. Temos que levar em consideração a história da marca, a qualidade da marca, então usar uma marca que o seu cirurgião confie, uma que ele usa sempre e que nunca teve problema. Não adianta a gente querer usar uma que apareceu agora que a gente não conhece, porque é mais barata.

Olga Goulart – Verdade, verdade. Doutora, existe um tempo de validade destas próteses? Antigamente a recomendação é de que... não sei, com ‘x’ tempo, era necessária a substituição desta prótese. Então a minha pergunta é a seguinte, existe este tempo determinado e como você faz o acompanhamento desta prótese, do posicionamento, se ela está no local ideal, no local certo, se não implica em riscos para a paciente?

Dra. Andréa Strauch – Existe, hoje em dia não tem mais aquele prazo de 10 anos, as próteses antigas a gente tinha que trocar a cada 10 anos acontecesse o que acontecesse. Hoje em dia não, hoje em dia a gente vai acompanhar como esta prótese tá, tem prótese que pode durar 15, tem prótese que pode durar 20 anos, dificilmente ela passa disso, dificilmente ela passa de 20 anos, mas a gente vai acompanhando e algumas coisas vão a gente levar a trocar a prótese. Com o passar do tempo a cápsula da prótese pode ir envelhecendo. Isso a gente consegue ver nos exames de imagem no Ultrassom ou na Ressonância, quando a gente vê que esta cápsula já não está de boa qualidade a gente troca a prótese, se a prótese romper a gente também troca a prótese.

Outra coisa que acontece é que alguns pacientes evoluem com uma coisa que a gente chama de contratura capsular. Isso é como uma fibrose que acontece, uma contração excessiva da cápsula fibrosa que se forma normalmente em torno de todo implante. Em alguns pacientes essa cápsula ela é um pouco exagerada, como se houvesse uma contração e isso gera uma deformação no implante, o implante fica mais endurecido a palpação, as vezes com um formato um pouco diferente e nos casos muito avançados alguns pacientes podem ter dor. Então a contratura capsular também é uma indicação de troca de prótese. Nem todo paciente tem, acontece em torno de 5%, tem paciente que não tem nunca, tem paciente que tem um pouquinho mais precoce as vezes com 5 anos e tem paciente que tem depois de 10 a 15 anos, a gente também indica a troca da prótese nesses casos.

Olga Goulart – Ok. Bom, nós sabemos que uma cirurgia, seja ela cirurgia plástica ou de qualquer natureza, implica uma série de exames pré-operatórios, bem como o acompanhamento do pós-operatório com as recomendações médicas, uma cirurgia de troca, caso necessário de uma prótese, é mais ou menos complicado do que a primeira cirurgia?

Dra. Andréa Strauch – Ela dá um pouquinho mais de trabalho. Não é que ela seja mais complicada ou menos complicada, mas ela dá um pouquinho mais de trabalho, porque a gente vai estar agindo numa área que já foi mexida, então tudo que a gente mexe faz uma fibrose no local, então dá um pouquinho mais de trabalho as vezes para descolar a prótese, mas não tem problema, o grau de complexidade é mais ou menos o mesmo.

Olga Goulart – Ok. E na condição doutora de que uma prótese poderia atrapalhar, por exemplo, a mulher de fazer a amamentação ou mesmo da realização de seus exames regulares como a Ultrassonografia e a Mamografia, isso é mito ou é verdade?

Dra. Andréa Strauch – Quanto aos exames é mito. Um radiologista bem treinado consegue fazer o screening de câncer de mama com a paciente com prótese com um Ultrassom tranquilamente, caso ele tenha alguma dúvida ou algum impedimento a gente pode fazer a Ressonância da mama, que consegue ver todo o parênquima ou caso tenha algum tumor, assim como a Mamografia também pode ser feita.

Com relação a amamentação, isso varia um pouco de paciente para paciente. A grande maioria dos pacientes, em torno de 95% dos pacientes amamentam normalmente, em alguns pacientes a gente vê que tem dificuldade, mas isso é algo não pode prever, a gente só vai ver quando a paciente engravidar e tentar amamentar, mas a grande maioria amamenta normal.

Olga Goulart – Outra dúvida muito frequente é a sensibilidade das mamas. Se após a realização deste procedimento a mulher perde a sensibilidade.

Dra. Andréa Strauch – Depende um pouquinho. Como você falou a gente tem 3 incisões que a gente pode fazer, a gente pode colocar a prótese pela aréola, que a gente chama de periareolar, pode fazer pelo sulco que é aquela dobrinha que a mama tem ou pode fazer pela axila. 

Quando a gente faz pela aréola, a taxa de alteração de sensibilidade é um pouquinho maior, nos outros casos ela é bem menor, o que a gente vê com frequência é que no primeiro mês e no segundo mês o que acontece é que as vezes mamilo fica um pouco mais sensível, uma hipersensibilidade e que isso se normaliza com o passar do tempo, em torno de 3 a 6 meses isso geralmente já está normal. 

Quando a gente faz a periareolar alguns pacientes podem ter um pouquinho de alteração de sensibilidade, mas também é raro, a grande maioria normaliza até os 6 meses.

Olga Goulart – Pode haver rejeição do implante, doutora?

Dra. Andréa Strauch – Rejeição não porque é um material inerte, o que pode acontecer é a contratura que as vezes leva a gente a precisar tirar a prótese ou precisar trocar a prótese ou a infecção que muitas vezes a gente tem que tirar o implante. Então o que as pessoas chamam de rejeição geralmente é uma dessas duas coisas.

Olga Goulart – Ok. Então dentro dessa condição de rejeição, é bom que consideremos também algumas observações importantes pré-operatórias, o cuidado de fazer o repouso necessário, atividade física, até você poder retomar a atividade física. Quais são estas considerações.

Dra. Andréa Strauch – No pré-operatório a gente precisa fazer alguns exames para ver se a paciente está apta a fazer a cirurgia, se não tem nenhum distúrbio de coagulação, se não tem anemia. Outra coisa que é muito importante que a gente faz hoje em dia é a profilaxia de trombose, todos os meus pacientes passam antes com um cirurgião vascular, fazem um Doppler e veem se está tudo bem, se não tem nenhuma trombose e ele indica a profilaxia de trombose.

No pós-operatório a gente tem alguns cuidados. A gente tem que usar aquele sutiã cirúrgico geralmente por 2 meses. A atividade física, cada cirurgião tem sua maneira de lidar, mas pelo menos nos primeiros 15 dias a gente precisa ter alguns cuidados com os movimentos dos braços, não pegar peso, ficar um pouco mais restrita nos primeiros 15 dias. Mas é uma cirurgia que tem um corte pequeno, então muitos pacientes se tiver uma atividade de trabalho que não vá fazer um esforço físico, tem paciente que com 5 dias a 1 semana já está trabalhando. Se for uma atividade que exija mais esforço, a gente espera em torno de 15 dias até 3 semanas. Para voltar a fazer uma atividade física, com 3 semanas você consegue já voltar a fazer uma caminhada, musculação eu espero um pouquinho mais, mas isso varia muito de cirurgião para cirurgião, mas pelo menos 15 dias você fica um pouquinho mais restrita.

Olga Goulart – Bom, hoje os médicos optam por quanto menos tempo internado melhor, seja em clínica ou hospital, no caso de cirurgia desta natureza, doutora, é preciso ficar internado quanto tempo? Qual a permanência do paciente numa unidade hospitalar.

Dra. Andréa Strauch – Esta cirurgia é rápida, demora em torno de 1 hora e meia a 2 horas. E hoje em dia a gente consegue fazer este tipo de cirurgia com anestesias mais simples, antigamente a gente fazia anestesia geral para todo mundo, hoje a gente pode fazer com bloqueio, pode fazer até com anestesia local e sedação. 

A gente opera o paciente de manhã ele vai para à tarde, se opera a tarde ele pode ir para casa à noite ou no máximo no outro dia, dificilmente a gente deixa o paciente internado mais do que 12 horas, 6 horas, mais do que 1 dia não precisa ficar internado.

Olga Goulart – Ótimo, isso é muito bom! Agora o risco de câncer. Eu vou perguntar tudo porque as mulheres gostam de partir para esse procedimento para este procedimento com total e absoluta segurança, não é? Existe algum risco ou alguma incidência maior de câncer de mama naquelas mulheres que passaram pelo procedimento de implante?

Dra. Andréa Strauch – Não! Nenhum trabalho conseguiu mostrar que tem nenhuma diferença, o risco é o mesmo, o que a gente precisa fazer é o screening, fazer o seu acompanhamento com seu ginecologista, com seu mastologista, fazer o seu Ultrassom anual, mas não aumenta o risco de câncer de maneira alguma.

Olga Goulart – Bom, este acompanhamento pós-operatório depois de 1, 2, 5 ou 10 anos de operado deve fazer com o próprio ginecologista ou é importante que o cirurgião veja esta paciente? 

Dra. Andréa Strauch – É importante que o cirurgião veja também. Acontece às vezes do paciente esquecer de voltar para o cirurgião plástico, tem que voltar para ele também. Quando fizer o seu Ultrassom anual que o seu ginecologista pedir, você leva para o seu cirurgião plástico dar uma olhadinha também. É importante porque em algum momento a gente vai precisar trocar a prótese. Se você é um paciente jovem que colocou a prótese com 20 a 30 anos de idade, pelo menos uma vez na vida você vai precisar trocar. Então é importante não esquecer do seu cirurgião, quando você fizer o seu Ultrassom com seu ginecologista leve para o seu cirurgião dar uma olhada também.

Olga Goulart – Bom, doutora, considerando alguns problemas importantes que a gente vê de médicos, assim como em outras profissões também acontece da gente não ter uma confiabilidade sobre o trabalho proposto, o que você recomenda na hora da escolha de um bom profissional cirurgião plástico.

Dra. Andréa Strauch – Primeiro que ele seja realmente cirurgião plástico. O cirurgião plástico para se formar precisa fazer 6 anos de faculdade, 2 anos de residência em cirurgia geral e 3 anos de residência em cirurgia plástica, então são 11 anos de formação e não é à toa. É uma especialidade difícil, que lida com muitos detalhes, que precisa saber muito de anatomia. Então às vezes acontece de médicos que não são especialistas fazendo este tipo de procedimento. Então a primeira coisa é que seu médico seja realmente cirurgião plástico, segunda que ele tenha o título de Especialista pela Sociedade Brasileira, isso é uma maneira de regulamentação, da gente ter certeza que o médico realmente é um cirurgião plástico e está habilitado a fazer este tipo de procedimento. Se você quiser pesquisar se o seu médico é cirurgião plástico, você pode entrar no site da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pesquisar lá pelo nome ou pelo CREMEB do médico que vai aparecer se ele é da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Olga Goulart – Ok. Dentro da avaliação clínica, suponhamos que a paciente precisa fazer primeiro uma redução da mama para depois fazer a colocação da prótese, este procedimento pode ser feito em uma única cirurgia?

Dra. Andréa Strauch – Pode. Pode ser feita em uma única cirurgia ou pode ser feita em procedimentos separados. O que acontece é que quando o paciente quer só aumentar a mama, não tem excesso de pele, a prótese geralmente resolve. O problema é que as vezes o paciente tem uma queda da mama, que a gente chama de ptose e não tem volume, é aquela mama vazia. Então a gente precisa usar a prótese para dar volume e associado a isso fazer a mamoplastia que é a suspensão da mama. Isso pode ser feito, ao mesmo tempo é um procedimento que a gente chama de mastopexia com prótese, assim como também tem médico que prefere fazer separado, primeiro faz a mamoplastia e depois coloca o implante, pode ser feito das duas maneiras.

Olga Goulart – Bom, considerando também mulheres que passaram por cirurgia de mastectomia, aonde eu gostaria de ressaltar a eficiência mesmo da cirurgia plástica nesta reconstrução da mama, em que momento seria recomendado esta colocação da prótese?

Dra. Andréa Strauch – Temos que lembrar que a cirurgia plástica não é só estética, a cirurgia plástica tem a bonita parte da reparação, da reconstrução. Olha, reconstrução de mama é um mundo, é uma especialidade à parte, então assim, varia muito de qual a cirurgia vai ser feita pelo mastologista, existem vários tipos de mastectomias, tem mastectomias menores e tem mastectomias mais amplas, então a reconstrução vai depender de qual mastectomia vai ser feita. Existe a possibilidade de a gente fazer a reconstrução imediata, isso é preferível quando é possível, o médico mastologista faz a mastectomia e o cirurgião plástico já entra para reconstruir a mama na mesma cirurgia, mas tem pacientes que isso não é possível e que a gente precisa fazer a reconstrução num segundo tempo. Então faz a mastectomia, faz a “quimio” e a “radio” e depois reconstrói a mama. 

A grande maioria das reconstruções de mama são feitas com próteses, mas também pode ser feita sem próteses, dependendo do caso. Então é difícil dizer assim quando, depende, cada caso é um caso, mas se a gente conseguir e for possível fazer a reconstrução imediata melhor, e geralmente a gente usa um expansor, que é uma prótese expansora, a gente coloca a prótese e depois expande ela, tem uma parte de silicone e uma parte de soro e a gente vai expandindo ela depois, porque quando geralmente a gente faz a mastectomia a gente fica com um pouquinho menos de pele, então esta expansão vai adaptando a prótese à pele da paciente.

Olga Goulart – Importante a gente poder contar com a cirurgia plástica, não só do ponto de vista estético, como também reparador, não é? No caso do que conversamos agora, doutora. É importante que as pessoas possam ter a sua autoestima resgatada, ter uma qualidade de vida melhor e se assim for, com uma indicação de uma cirurgia plástica um tanto melhor.

Dra. Andréa Strauch – Pois é. E para fazer a cirurgia que seja bem avaliada, que faça um pré-operatório correto, vá num cirurgião plástico de sua confiança e siga as orientações pós-operatórias para dar tudo certo.

Olga Goulart – Pois bem, muito obrigado doutora Andrea Strauch! A gente vai se encontrar outras vezes aqui no Viva Mais. Até a próxima oportunidade, um abraço.

Dra. Andréa Strauch – Obrigada Olga, um abraço a você também.