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Mitos e Verdades sobre Balão Intragástrico

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Viva Mais Viva Melhor – Bola de silicone que é colocada no estômago do paciente por endoscopia e insuflada com líquido ou com ar, o balão intragástrico é um recurso clínico utilizado para o tratamento da obesidade. O procedimento visa reduzir a capacidade do estômago dando uma sensação de saciedade precoce e auxiliando no processo de reeducação alimentar. Mas será que qualquer paciente pode ser submetido a este procedimento? Para responder a essas e outras dúvidas na nossa série Mitos e Verdade de hoje, quem conversa conosco é o doutor Marcelo Falcão, especialista em cirurgia do aparelho digestivo.

Doutor, é correto afirmar que qualquer paciente pode colocar o balão intragástrico, inclusive crianças? 
Dr. Marcelo Falcão – Não é qualquer paciente que pode colocar balão intragástrico. Existem algumas contraindicações que devem ser seguidas e as crianças acima de 12 anos e também com porte físico um pouco mais avantajado podem fazer uso do balão intragástrico. Para as crianças é mandatório uma endocrinologista pediátrica estar acompanhando e indicar, além do pediatra clínico fazer parte desta equipe. Mas existem algumas contraindicações para o uso do balão intragástrico.

Viva Mais Viva Melhor – O procedimento para colocar o balão intragástrico não é cirúrgico, portanto o paciente não sofre nenhum corte na região. Isso é mito ou é verdade?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é verdade. Realmente não tem nenhuma incisão, nenhum corte no corpo. É feito totalmente por endoscopia, mas existem alguns cuidados que lembram uma cirurgia. Chamamos hoje de endoscopia terapêutica ou endoscopia cirúrgica, mas é colocado e retirado por endoscopia através da cavidade oral e não há nenhum corte realmente.

Viva Mais Viva Melhor – Após a colocação do balão há risco dele estourar ou dele vazar, isso é mito ou é verdade?
Dr. Marcelo Falcão – Olha, é verdade se houver uma degradação deste balão com o tempo. O balão tem um período. Existe balão de 6 meses, de 1 ano, se você ultrapassa esse período de validade ele perde a resistência, ele pode vazar e ele murcha e pode acontecer algumas complicações. Estourar o balão é muito raro. Eu nunca vi, trabalho há 14 anos com isso e nunca vi. O que acontece é ele murchar porque o paciente passa do tempo usando o balão. 

Viva Mais Viva Melhor – Se o paciente ingerir muita comida, por exemplo, o balão pode murchar e o estômago se acostumar com o excesso do alimento. Isso é mito ou é verdade? 
Dr. Marcelo Falcão – Isso é verdade. Quando você está com o balão intragástrico e faz ingestas volumosas, este estômago faz mais força para poder digerir e fazer com que essa comida desça pelo intestino. Com essa força que ele faz ele também aperta o balão, esse balão pode realmente esvaziar e você perder a capacidade de saciedade que o balão lhe dá.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, é verdade que o balão pode escorregar e obstruir o intestino ou isso é mito?
Dr. Marcelo Falcão – Verdade. O balão pode escorregar nestas condições que te falei, passando o período de validade do balão, não é no período de validade. É passando este período. O paciente que não faz acompanhamento, que abandona o acompanhamento, este balão pode perder a validade, esvaziar, ele murcha e obstrui o intestino, sendo uma necessidade urgente de tratamento cirúrgico. Ou seja, você passa de uma condição eletiva com a retirada programada do balão no período para uma retirada de urgência.

Viva Mais Viva Melhor – É verdade que por conta de náuseas o paciente pode expelir o balão durante o vômito ou é mito?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é mito, não existe essa possibilidade.

Viva Mais Viva Melhor – O balão de ar provoca muitos gases, por isso o balão insuflado com líquido é o mais aceito pelos pacientes, isso é verdade ou mito?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é mito. O balão de ar não sai. Não tem relação com a sintomatologia de gases. O balão de ar é menos pesado do que o balão de líquido e a escolha é mais do médico e da condição de que o balão de líquido dá mais saciedade, ele é mais pesado e lembra ao paciente que quer comer mais que ele tem um desconforto, que ele tem um freio maior. O balão de ar é mais leve, ele trabalha mais com a capacidade, com o volume ocupado, mas ele dá menos sintoma do que o balão de líquido.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, é verdade ou é mito afirmar que alguns elementos podem corroer o balão intragástrico, inclusive comidas quentes?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é mito. Não tem essa possibilidade. Hoje todos os tipos de balão são feitos com materiais de alta qualidade. O grande problema do balão é o período de validade dele, ultrapassando esse período ele fica mais suscetível a agressões, tanto do ácido gástrico, como principalmente dessas alimentações copiosas, volumosas. O que acontece é que no período de validade dele o balão resiste a essas agressões perfeitamente.

Viva Mais Viva Melhor – O procedimento é eficaz para redução de peso, com isso ocorre uma melhora do diabetes, do colesterol e também da pressão arterial, isso é mito ou é verdade?
Dr. Marcelo Falcão – Verdade! Esse é o grande objetivo da colocação do balão intragástrico, é dar uma qualidade de vida, uma melhor saúde para o paciente. Você perdendo peso você tem as suas doenças associadas a obesidade, com o diabetes é reduzido, o colesterol, a pressão arterial, a mobilidade do paciente é outra. Você tem uma condição de saúde muito melhor. O balão é um passo antes da cirurgia. Ele quando foi criado foi pensado em pegar pacientes com 300 quilos, 200 quilos e trazer para 100 quilos, 150 quilos para a gente ter condição de operar. Hoje você evita a ele um tratamento que a gente pode dizer que é preventivo, para o paciente não chegar na obesidade. Então ele consegue reduzir o peso e dar todos esses benefícios de saúde ao paciente.

Viva Mais Viva Melhor – Após a retirada do balão intragástrico o paciente não irá mais engordar, isso é verdade ou é mito?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é mito. Primeiro a gente tem que ter a ideia sempre de uma verdade, a obesidade não tem cura. O balão vai lhe dar uma condição de perda de peso e de chance de mudança dos seus hábitos de vida. Se você retirar o balão e retornar para hábitos antigos, hábitos de sedentarismo, de dieta irregular, de dieta hipercalórica, comendo sempre muita gordura e muita fritura você irá ganhar peso. Isso até com a cirurgia a gente tem o problema do reganho de peso. A obesidade é sustentada pelos hábitos ruins e quando você tem a chance de perder peso, de melhorar as doenças associadas com o balão ou com a cirurgia você tem que manter esse hábito de vida saudável. Ou seja, tirei o balão vai engordar? Se não tiver hábitos de vida saudável vai engordar sim.

Viva Mais Viva Melhor – O procedimento com o balão intragástrico pode ser repetido caso o objetivo não tenha sido alcançado, isso é verdade ou é mito?
Dr. Marcelo Falcão – Isso é verdade. O balão você pode repetir a colocação. Alguns pacientes de 100 a 200 quilos que você coloca e ele perdeu 30 a 40 quilos, mas ainda tem uma condição clínica ruim para a cirurgia ou ele quer continuar e não quer operar. Você tira aquele balão e coloca outro imediatamente e ele continua com a perda de peso objetivando. Agora, quando não dá certo num paciente não é costume nosso repetir, porque você não vai usar medicação ou um tratamento que não deu certo, você refaz esse tratamento para um paciente que por outro motivo no período colocou balão e mais tarde ele ganhou peso por alguma coisa, engravidou, teve uma doença, teve uma fratura, ficou imobilizado. Ou seja, ele voltou a ter aquele excesso de peso que ele conseguiu perder, você pode realmente colocar o balão quantas vezes você for indicado.

Viva Mais Viva Melhor – Para finalizar, o paciente poderá ficar com o balão intragástrico por um tempo indeterminado?
Dr. Marcelo Falcão – Jamais! Todo o material, a prótese de silicone de polipropileno ela tem uma validade e isso deve ser respeitado. Temos grandes complicações como você já colocou e são sempre advindas desse período prolongado, você não deve permanecer com o balão um tempo a mais do que a validade do fabricante. Os balões no Brasil são autorizados para 6 a 8 meses e de 1 ano.

Viva Mais Viva Melhor – Ok. Conversamos com o doutor Marcelo Falcão, especialista em cirurgia do aparelho digestivo. Doutor, muito obrigado e até a próxima.