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Idade e fertilidade: A gravidez depois dos 40

Nas últimas décadas, muitas coisas mudaram para as mulheres. Elas dedicaram mais tempo à carreira na busca pela estabilidade financeira, passaram a contar com métodos contraceptivos eficazes e estão vivendo por mais tempo. Por isso, o sonho de ter um filho, que antes era o principal objetivo da mulher, vem sendo adiado para dar lugar a outras conquistas. Mas, será que o relógio biológico pode acompanhar o tempo de espera imposto pelas mudanças sociais? 

A exuberância reprodutiva da mulher está entre os 20 e 30 anos de idade, é quando o potencial máximo reprodutivo está presente utilizando os óvulos mais férteis. As mudanças sociológicas que levaram a mulher a adiar o seu projeto maternal, não modificaram a sua progressão biológica para o chegar na menopausa. As mulheres já nascem com o conteúdo de óvulos, que vai utilizar ao longo da vida, sem que haja uma nova reposição, diferente dos homens que, a cada três meses, repõem o seu estoque de espermatozoide, o que permite a fertilidade ser mantida ao longo dos anos.           

"Na medida em que a mulher começa a menstruar, inicia a sua vida reprodutiva e começa a utilizar os óvulos mais férteis, que são armazenados em ‘uvinhas’ (folículos), que seguem com se fossem ascendentes dessas ‘uvinhas’. Todo mês amadurece uma ‘uvinha’ e uma série de outras vão ser absorvidas pelo organismo. Quando a mulher atinge os 40 anos, o estoque que ainda resta nem sempre é um estoque muito fértil". (Dr. Joaquim Roberto Costa Lopes, ginecologista e obstetra e especialista em reprodução humana)

Vale lembrar, que muitas mulheres chegam aos 40 anos ainda com uma fertilidade exuberante, isso varia de uma mulher para outra, mas um número considerável já esgotou os seus folículos mais viçosos e, consequentemente, os óvulos mais férteis. Ou seja, pode-se concluir que há uma diminuição da fertilidade com o avançar da idade. Por conta disso, um número considerável de mulheres busca as clínicas de reprodução assistida, para saber como está a sua reserva ovariana e ver a possibilidade de congelar óvulos para uma utilização futura. 

De acordo com as explicações do Dr. Joaquim Lopes, “quando a mulher engravida após os 40 anos, além da maior dificuldade para engravidar, ainda enfrenta o risco maior de abortamento, porque esses óvulos mais envelhecidos têm mais chances de ter alterações cromossômicas e que levam naturalmente ao abortamento. É muito importante, hoje, quando a mulher passar dos 30 anos, procurar saber como está o seu potencial biológico em termos de capacidade reprodutiva”.

Por isso, ver como está o perfil reprodutivo é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento. “Após os 40 anos, a mulher que tem um planejamento de gravidez deve procurar saber como está o ponto de vista reprodutivo, fazer alguns exames que vão averiguar como ela está, o risco de ter uma baixa reserva ovariana, uma endometriose, um mioma que esteja comprometendo a fertilidade ou ter alguma alteração da trompa que possa estar aumentando o risco de uma gravidez ectópica. Estes cuidados, geralmente, devem ser tomados, de imediato, na mulher após os 40 anos que está decidida a engravidar”, finaliza Dr. Joaquim Lopes