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Hepatite C: Evolução costuma ser lenta e o diagnóstico tardio

Doença silenciosa que afeta o fígado, a Hepatite C é causada pelo vírus VHC, transmitido de muitas formas, como através de transfusão de sangue, por via sexual, compartilhamento de seringas, instrumentos para manicure ou tatuagem, entre outras. A evolução da patologia costuma ser lenta e o diagnóstico tardio, mas essa é uma das poucas enfermidades crônicas que pode ser curada. 

A hepatite C é causada por um vírus que tem tropismo, ou seja, atração pelas células do fígado. Nesta célula, vai se replicar, utilizar o maquinário e estrutura do órgão e, com o tempo, passar a danificar, ao longo de vários anos, o fígado. “Existem vários tipos de hepatites por vírus hepatotrópicos, cinco na verdade, do vírus A ao vírus E. Entretanto, somente o vírus B, C e D evoluem para a forma crônica e o C, atualmente é, sem dúvida, o que mais provoca doença crônica em no nosso meio”, explica o médico especialista em Gastroenterologia e Hepatologia, Dr. André Lyra.

Caracteristicamente, a hepatite C é uma doença de curso silencioso, o indivíduo, ao adquirir o vírus, vai continuar com o vírus e a doença se prolonga por vários anos. Vale ressaltar, que a maioria dos indivíduos não vai ter uma doença grave, somente 10 a 20% evoluem para cirrose ao longo de 20 anos, mas a prevalência da hepatite C é significativa: 1,5% da população brasileira, ou seja, 3 a 4 milhões de pessoas. Então 10 a 20% disso é uma quantidade significativa, muita gente tem ainda cirrose por hepatite C. 

A seguir, Dr. André Lyra explica um pouco mais sobre a hepatite C:

Sintomas
A fase inicial, em geral, é assintomática. Na fase avançada pode-se observar:

- Edema e inchado nas pernas; 
- "Água na barriga" (a barriga aumenta de volume por água que se acumula dentro da cavidade abdominal - ascite);
- Olho amarelado - icterícia; 
- Vermelhidão na palma das mãos; 
- Manchas vermelhas específicas do fígado no tórax.

Diagnóstico
Todo o paciente que recebeu sangue antes de 1992 deveria fazer o anti-HCV, que é o exame de triagem - é uma recomendação da Sociedade Brasileira de Fígado e da Americana também. Indivíduos que nasceram até 1970, idealmente devem ser submetidos ao teste de triagem para o anti-HCV porque é o período que existia a maior prevalência da hepatite C.

Tratamento
O tratamento era feito com a utilização de uma droga, chamada de Interferon Peguilado, e associado a outras drogas orais que provocavam efeitos colaterais muito intensos e a eficácia desse tratamento era de baixa a intermediária. 

Recentemente, o Governo Brasileiro disponibilizou, através do SUS, uma combinação terapêutica que é utilizada há pelo menos um ano nos países de primeiro mundo, com drogas orais muito mais eficazes do que este tratamento prévio, que tinha efeitos colaterais. No tratamento atual os efeitos colaterais são poucos e não são clinicamente tão relevantes. 

Prevenção
A prevenção da hepatite C se dá, basicamente, evitando utilizar qualquer tipo de material perfurocortante de forma compartilhada com outra pessoa. Qualquer material perfurocortante tem que ser esterilizado ou, preferencialmente, descartável (é o ideal). Os outros métodos preventivos são feitos a partir da triagem da bolsa de sangue. A transmissão sexual, embora seja rara, as vezes pode ocorrer, então, deve-se utilizar preservativo e evitar a promiscuidade sexual.