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Envelhecer não é doença

Quando uma pessoa idosa começa a esquecer o nome das coisas, compromissos e algumas tarefas diárias, costuma-se dizer que esses são sintomas da velhice e que não tem mais volta. Antigamente, o termo 'demência senil' era associado à demência por processo de envelhecimento, mas, hoje, as pessoas estão envelhecendo com melhor qualidade de vida e mantendo seu estado cognitivo preservado. Ou seja, a demência atinge um número expressivo de idosos, mas pode ser revertida em alguns casos. 

A Bahia é o estado do Brasil que mais possui idosos centenários e eles estão chegando aos 100 anos com sua cognição preservada. Portanto, pode-se entender que, a demência é um sintoma provocado por uma determinada doença. Ela existe por conta da doença que levou a ter esse estado. 

“O termo demência vem do latim (de = falta, diminuição; mens = mente), então, ela não é uma patologia, é provocada por uma determinada patologia que leve ao quadro de demência”. (Dr. Wenceslau Alonso, médico especialista em geriatria)

A demência é uma doença mental caracterizada, principalmente, pelo prejuízo cognitivo, que pode incluir alteração de memória, desorientação em relação ao tempo e ao espaço, alteração do raciocínio, concentração, aprendizado, realização de tarefas complexas, julgamento de linguagem e habilidades parciais. Esses sintomas podem aparecer isoladamente ou em conjunto. 

Vale destacar, ainda, que são considerados fatores de risco que predispõem à demência senil, a hipertensão, o diabetes, a obesidade, o tabagismo e o sedentarismo. Esses fatores, relacionados ao hábito de vida, são considerados fatores modificáveis, pois, se controlados, têm uma grande chance de não desencadearem o quadro demencial e retardar o aparecimento da doença. 

Envelhecer não é doença, envelhecer é um fator biológico da vida. Portanto, nem todas as pessoas que envelhecem irão ter demência. “Existem três diferenciações importantes na geriatria em relação ao envelhecimento e à demência: o déficit cognitivo, que é a diminuição da capacidade de memória, pode ser leve, moderado ou severo. Com o envelhecimento, a velocidade de raciocínio também fica modificada, sem que isso seja indicativo inicial de demência, é o déficit cognitivo leve. Nos déficits cognitivos moderado e severo, o comprometimento cognitivo é acentuado, havendo, portanto, prejuízo do julgamento, necessitando intervenção e tratamento”, finaliza Dr Wenceslau Alonso.