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Tema: Tratamento do Câncer Colorretal

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Viva Mais Viva Melhor – De acordo com os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer colorretal é o terceiro mais frequente entre os homens, logo após o câncer de próstata e o de pulmão e é o segundo mais incidente nas mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama. Estima-se que, somente em 2016, serão diagnosticados quase 35 mil casos do câncer de colo e reto no Brasil. Porém, ao ser detectado precocemente este tipo de tumor é tratável e, na maioria dos casos, curável quando ainda não se espalhou para outros órgãos. Algumas lesões iniciais podem ser tratadas com colonoscopia, já em outras lesões maiores a cirurgia, combinada ou não a quimioterapia ou radioterapia, é a regra no tratamento com intenção de curar ou para se obter melhor controle dos sintomas dos casos incuráveis. Para esclarecer as dúvidas a respeito do assunto, quem conversa conosco é o médico Herbert Almeida, especialista em cirurgia oncológica.

Doutor, primeiramente explica para os nossos ouvintes o que é o câncer colorretal e como é que ele se desenvolve?
Dr. Herbert Almeida – Bom, o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino grosso, ele se caracteriza pelo crescimento anormal de células do intestino. Este crescimento inicia-se na mucosa, que é a camada mais interna, e vai progressivamente invadindo as outras camadas. Ao longo deste processo pode haver invasão de alguns órgãos próximos ou mesmo disseminação para outros locais à distância, sendo mais comuns no fígado e pulmão. A doença inicia-se com alteração genética, que normalmente ocorre ao acaso, mas que em uma menor proporção dos casos pode ser transmitida de maneira hereditária, ou seja, o defeito pode estar numa linhagem de uma família especificamente. Por isso, pessoas que têm familiares de primeiro grau são acometidas com uma maior frequência e possuem um risco maior para desenvolver a doença ao longo da vida.

Viva Mais Viva Melhor – Bom, além da questão da hereditariedade, existe alguma outra causa para o câncer de colo e o câncer de reto, doutor?
Dr. Herbert Almeida – Tem um grupo de pacientes que têm um risco aumentado, que é o de pacientes com doença inflamatória intestinal. É um grupo pequeno, mas não é uma doença rara, é uma doença que tem uma certa prevalência, mas também não chega a ser tão comum assim. Estes pacientes, pelo processo inflamatório que a doença causa por definição, pode levar a multiplicação das células a ocorrer alguma falha de transmissão no material genético e o paciente desenvolver uma aberração genética que leve ao desenvolvimento do câncer. Mas, na maioria dos casos, ocorre de maneira esporádica. Termina que os fatores principais de risco são aqueles relacionados a hábitos de vida modificáveis, são o tabagismo, ingesta de bebidas alcoólicas em grande quantidade, dieta rica em carne vermelha e pobre em frutas e verduras, além do sedentarismo, eles comprovadamente aumentam as chances de se desenvolver a doença.

Viva Mais Viva Melhor – E quais são os sinais e sintomas do câncer colorretal, doutor? 
Dr. Herbert Almeida – A variedade de sinais e sintomas é muito grande, porém os mais comuns são a perda de peso, normalmente é o que o paciente relata com muita frequência a perda de peso, a dor abdominal e alteração do hábito intestinal, ou seja, o paciente tem progressivamente mais dificuldade de ir ao banheiro. Redução do calibre das fezes algumas vezes é relatada, principalmente quando as lesões são mais na parte distal do intestino, incluindo o sangramento nas fezes. Eventualmente o diagnóstico é feito em processo de investigação de anemia, principalmente em pacientes adultos, as vezes em pacientes idosos que não referem tantas traumatologias assim, mas no exame de rotina de detecção anêmica detecta uma anemia e na investigação termina se descobrindo este tipo de tumor.

Viva Mais Viva Melhor – Existem outros elementos que poderiam ajudar a diagnosticar o câncer colorretal, doutor?
Dr. Herbert Almeida – Os exames de rotina. Tem já bem estabelecido uma rotina de rastreio do câncer colorretal, é um dos tumores malignos que nós temos bem estabelecidos estratégia de rastreamento com o benefício comprovado. Então a realização do exame de colonoscopia e retossigmoidoscopia, combinado a alguns testes de sangue oculto nas fezes, eles são bem estabelecidos como exames que aumentam a taxa de detecção e permitem inclusive detectar em estágios mais precoces, o que é melhor para o paciente.

Viva Mais Viva Melhor – É verdade que algumas lesões podem ser tratadas durante a colonoscopia?
Dr. Herbert Almeida – Sim, algumas lesões muito iniciais podem ser tratadas com a colonoscopia, muitas vezes no próprio ato do procedimento de rastreamento, detectando-se lesões menores elas podem ser retiradas, por exemplo, detecta um pólipo e você faz uma polipectomia e posteriormente identifica-se que este pólipo já estava começando a desenvolver um câncer e isso é uma forma de tratamento. E algumas outras lesões mesmo um pouco maiores, se elas forem restritas à mucosa, a gente pode tentar fazer o tratamento só com a colonoscopia.

Viva Mais Viva Melhor – Uma vez confirmado o diagnóstico da doença, quais são as opções de tratamento para o câncer colorretal?
Dr. Herbert Almeida – Bom, nos casos que não estão avançados do tumor, o tratamento é feito com cirurgia. Pode ser feita também por uso de laparoscopia e eventualmente complementada com quimioterapia pós-operatória. Nos tumores de reto, mesmo nos casos iniciais, às vezes é necessária a quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia, a ideia deste tratamento é não só reduzir o tamanho do tumor e facilitar a cirurgia posterior, mas principalmente diminuir a taxa de recidiva no local. Para os casos avançados, ou seja, aqueles pacientes que evoluíram no caso de metástase à distância, o tratamento na maioria das vezes é com quimioterapia, mas alguns pacientes selecionados eles podem ter benefícios na retirada das metástases, particularmente quando estas metástases estão no fígado ou no pulmão. Um grupo ou uma porcentagem destes pacientes vão ter o benefício, inclusive, de possibilidade de cura.

Viva Mais Viva Melhor – No caso do tratamento cirúrgico, como é que ele é feito? Quais são os tipos de cirurgias disponíveis para tratar o câncer de colo e de reto?
Dr. Herbert Almeida – Primeiro a cirurgia pode ser feita tanto pela via aberta quanto pela via fechada que é a laparoscopia, a cirurgia não muda, o que muda é a via de acesso. Relacionado especificamente ao procedimento cirúrgico, ela envolve a retirada daquela parte do intestino que está com a doença. O nome vai mudar, de acordo com a localização, mas é basicamente isso, a retirada da parte do intestino que está com a doença juntamente com os linfonodos, popularmente chamada de íngua, que são os linfonodos de drenagem daquela região onde está o tumor. No caso dos tumores mais distais, ou seja, mais próximos do canal anal, ou seja, no final do reto, pode ser necessário o uso de colostomia. Esta colonoscopia pode ser temporária, na maioria das vezes ela é temporária ou permanente, caso seja necessário retirar o esfíncter anal, ou seja, fazer a amputação de reto, para conseguir a margem livre com a intensão de curar o doente. No caso do tratamento das metástases de fígado e pulmão, havendo indicação, ele é feito com cirurgia para retirar os nódulos ou segmentos tanto do fígado ou de pulmão ou os dois juntos que estejam acometidos.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, após a cirurgia o paciente pode se alimentar normalmente?
Dr. Herbert Almeida – Sim. O paciente pode se alimentar normalmente, habitualmente não tem nenhuma restrição do ponto de vista alimentar. A progressão da dieta pode variar de acordo com a preferência do cirurgião, tem cirurgião que prefere começar na dieta líquida e progredindo, tem outros que liberam a dieta um pouco mais consistente no pós-operatório, isso vai muito da preferência pessoal, mas o paciente plenamente recuperado não tem nenhuma restrição de alimentação não.

Viva Mais Viva Melhor – E quais são os possíveis efeitos colaterais da cirurgia de câncer colorretal? 
Dr. Herbert Almeida – Além da possibilidade do uso de colostomia, que isso tem que ser, inclusive, sempre avisado ao paciente, a cirurgia do intestino a depender da quantidade de intestino retirado pode levar a um quadro de diarreia que, na maioria das vezes, melhora com o tempo. Da mesma forma a cirurgia que manipula o reto, ou seja, quanto mais próximo do final do intestino que for feita a retirada, pode ter um certo grau de comprometimento da denervação e os pacientes as vezes reclamam de incontinência fecal e até mesmo urinária. Caso isso ocorra o paciente é encaminhado para a fisioterapia e habitualmente tem uma boa resposta, quase todos recuperam a função sem nenhum problema.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, para finalizar eu gostaria de reforçar os fatores de risco para o câncer colorretal e te perguntar como podemos nos prevenir contra a doença?
Dr. Herbert Almeida – Bom, como eu antecipei, os fatores de riscos principais considerando que é uma doença que na maioria das vezes ocorre ao acaso, relacionado a hábitos de vida modificáveis como o tabagismo, ingesta de bebida alcóolica, dieta rica em carne vermelha e pobre em frutas e verduras e sedentarismo. Então o ideal é não fumar, restringir a ingesta de álcool ao mínimo possível, etilismo social seria aceitável, cultivar alimentação balanceada e procurar praticar atividades físicas.

Viva Mais Viva Melhor – Conversamos com o doutor Herbert Almeida, especialista em cirurgia oncológica. Doutor, muito obrigada e até a próxima.