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Tema: Gravidez depois dos 40 anos

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Viva Mais Viva Melhor: Nas últimas décadas muitas coisas mudaram para as mulheres, elas dedicaram mais tempo à carreira na busca de uma estabilidade financeira maior, passaram a contar com métodos contraceptivos eficazes e estão vivendo por mais tempo. Por isso, o sonho de ter um filho que antes era o principal objetivo da mulher vem sendo adiado para dá lugar para outras conquistas Mas, será que o nosso relógio biológico pode acompanhar o tempo de espera imposto pelas mudanças sociais? E, para saber um pouco mais sobre a gravidez após os 40 anos, quem conversa conosco hoje é o Dr. Joaquim Lopes, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana.

Doutor primeiramente esclarece para as nossas ouvintes se é possível adiar essa gravidez e até que ponto.O corpo espera também?
Joaquim Lopes: Ouça bem Olga, na realidade a natureza não foi muito pródiga com as mulheres, você imagina que a mulher já nasce com o conteúdo de óvulos que ela vai utilizar ao longo da vida sem que haja uma nova reposição, diferente dos homens que, a cada três meses, repõem o seu estoque de espermatozoide. Então, na medida em que a mulher começa a menstruar, inicia a vida reprodutiva dela e ela começa a utilizar os óvulos mais férteis que são armazenados em ‘uvinhas’ que chamamos de folículo e esses óvulos seguiam com se fossem ascendentes dessas uvinhas, todo mês amadurece uma uvinha dessas, uma série de outras uvinhas que seriam os folículos vão ser absorvidos pelo organismo e consequentemente esse consumo mais sendo mensal, sem haver uma reposição e os mais férteis vão sendo utilizados primeiro. Quando a mulher atinge os 40 anos, o estoque que ainda resta nem sempre é um estoque muito fértil, isso obviamente varia de uma mulher para outra, muitas mulheres chegam aos 40 anos ainda com uma fertilidade realmente exuberante, mas um número considerável de mulheres já esgotaram os seus folículos mais viçosos e, consequentemente, os óvulos mais férteis. Com isso, naturalmente, há uma diminuição da fertilidade com o avançar da idade, o homem, nos temos casos de homens que foram pais aos 70 anos como Pablo Picasso, aos 90, como o pai de Júlio Iglesias, então eles tinham um estoque renovado e progressivo de espermatozoide que permitiu a fertilidade ser mantida ao longo dos anos.           

Viva Mais Viva Melhor: Então quer dizer que é muito mais difícil naturalmente engravidar aos 40 anos?
Joaquim Lopes: É! Exatamente, e aí surgiu com essa e todos os aspectos que você mencionou as mudanças sociológicas que realmente levava a mulher a adiar o seu projeto maternal, isso não modificou a sua progressão biológica para o chegar na menopausa, e com isso naturalmente nós passamos a enfrentar, cada vez mais, um número considerável de mulheres buscando as clínicas de reprodução assistida. Primeiro, para saber como é que está a sua reserva ovariana, como é que está o seu potencial, o que, que ela já gastou e o que, que ela dispõe isso hoje, cada vez mais, as mulheres estão preocupadas com isso. Muitas mulheres que não têm um projeto maternal imediato e vejo a chegar aos 35 e 37 anos procuram as clínicas para saber o seu potencial, como ele está, e ver a possibilidade de congelar óvulos para uma utilização futura, e temos aquelas mulheres que chegam nessa faixa de 40 anos e que na realidade já quer um filho de imediato e vão naturalmente tendo dificuldade de engravidar espontaneamente buscar os recursos da medicina reprodutiva para tentar buscar uma solução.

Viva Mais Viva Melhor: Existe uma idade ideal do ponto de vista biológico para engravidar doutor?
Joaquim Lopes: Existe! O ideal seria que a mulher engravidasse na sua faixa de 20 a 30 anos, esse é que seria o ideal, é quando o potencial máximo reprodutivo está presente para esta mulher e, se ela engravida nesse período, está engravidando utilizando os óvulos mais férteis que, quando a mulher engravida após os 40 anos além da maior dificuldade para ela engravidar ela ainda enfrenta o risco maior de abortamento, por que esses óvulos mais envelhecidos eles têm mais chances de ter alterações cromossômicas e que levam naturalmente ao abortamento. Durante os 20 aos 30 anos é exuberância reprodutiva da mulher, mas sem sempre é possível e a mulher tem que buscar as alternativas que são viáveis para ela, ela pode não ter um parceiro, ela pode ter um planejamento para fazer um mestrado, um doutorado, assumir um cargo, um desafio em uma nova empresa ou enfrentar um concurso para uma determinada posição em um cargo público e, consequentemente, ela adia esse projeto maternal, mas é muito importante hoje que quando a mulher passou dos 30 anos ela procure pelo menos como uma iniciativa imediata saber como está o potencial biológico dela em termos de capacidade reprodutiva. 

Viva Mais Viva Melhor: Doutor, recentemente a cantora Ivete Sangalo aos 45 anos anunciou a segunda gestação de gêmeos. Os cuidados que devem ser levados em consideração quando uma mulher de 40 anos resolve engravidar são os mesmos que teria quando mais nova?
Joaquim Lopes: Não, ela tem que naturalmente ver como está o perfil biológico dela, o perfil reprodutivo, isso é fundamental antes de inicial não é qualquer terapia, então se ela está tendo, se ela não está conseguindo engravidar e, na realidade, a mulher após os 40 anos, se ela tem um planejamento de gravidez ela deve realmente procurar saber como está o ponto de vista reprodutivo, não pode à exemplo da mulher de 30 anos que pode ficar um ano para ver se a gravidez acontece espontaneamente a mulher de 40 anos deve de imediato procurar como está o perfil realmente reprodutivo dela e aí antes dela engravidar, ela fazer alguns exames que vão averiguar como ela está, o risco de ela ter uma baixa reserva ovariana, de ela ter uma endometriose, de ela ter um mioma que esteja comprometendo a fertilidade, de ela ter alguma alteração da trompa que possa também estar aumentando o risco de uma gravidez ectópica, então estes cuidados geralmente devem ser tomado de imediato na mulher após os 40 anos que está decidida a engravidar. 

Viva Mais Viva Melhor: Doutor quais os riscos de uma gravidez depois dos 40 anos, tanto para a mãe quanto para criança?
Joaquim Lopes: Os riscos após os 40 anos para a mãe estão relacionados principalmente à diabete, é um risco maior que ela tem de desenvolver uma diabete na gravidez, há exemplo também de outras patologias como a hipertensão na gravidez, ela é mais frequente em mulheres numa faixa etária mais avançada e  a pré-eclâmpsia também é uma enfermidade que cursa com a hipertensão e com a toxidade maior, é mais frequente nesse período, e também nessa fase já as mulheres apresentam um risco maior de determinadas patologias que aumentam a possibilidade de uma interrupção da gravidez, por exemplo a presença de miomas é importante, isso pode acontecer realmente e acontece com mais frequência em uma faixa etária mais avançada, de modo que esse rastreio de problemas deve ser feito para que a mulher engravide com bons níveis de glicemia com hipertensão se ela tinha uma hipertensão que seja controlada. Do ponto de vista da criança, como esses óvulos são mais envelhecidos, existe um risco maior naturalmente de cromossomopatias e aí em determinadas situações a mulher precisa de fazer um estudo genético para afastar a possibilidade de uma criança com alguma alteração, bem quando ela engravida existem exames que realmente permitem averiguar se essa criança ela tem já numa fase inicial da gravidez por volta de 9 e 10 semanas ela já pode fazer exames para confirmar a normalidade genética dessas crianças que vão nascer.     

Viva Mais Viva Melhor: A partir de que idade doutor esses riscos aumentam? É possível ter uma gravidez saudável após os 40 anos?
Joaquim Lopes: Sim, perfeitamente, vocês veêm que a Ivete acaba de postar nos diversos meios de comunicação, nas diversas redes sociais, aliás me fazendo inclusive homenagem porque nós cuidamos da fertilização in vitro da Ivete e onde nasceram duas crianças perfeitamente saudáveis, a Helena e a Marina, então, é perfeitamente saudável é perfeitamente possível após os 40 anos ter os seus bebês inteiramente saudáveis.

Viva Mais Viva Melhor: E quais as vantagens dessa decisão um pouco mais tardia doutor?
Joaquim Lopes: As vantagens são de um casal perfeitamente mais amadurecido é um casal que tem no renascer e na possibilidade de reproduzir um novo vigor, porque o reproduzir ele está muito relacionado a juventude, quando uma mulher ou um homem após os 40 anos tem o seu filho ele na realidade está se identificando com a idade jovem, ele está se identificando com a capacidade realmente reprodutiva que ele está conseguindo comprovar para sociedade e isso seguramente muitos já têm uma estabilidade sócio-econômica que permite oferecer melhor estudo, melhores escolas e melhor assistência médica-hospitalar, todos esses aspectos na realidade soam como positivo para a gravidez após os 40 anos.   

Viva Mais Viva Melhor: Uma gestação com mais de 40 anos pode ser considerada de alto risco? É verdade que o pré-natal de uma mulher com 40 anos é diferente do das outras gestações.
Joaquim Lopes: Olha, o pré-natal de uma mulher após os 40 anos exige alguns cuidados, um rastreio dessas enfermidades que acabamos de falar, principalmente relativo a mulher, a diabete e hipertensão, identificação de miomas que possam comprometer  é também aconselhável de investigar através da ultrassonografia ou através de estudo bioquímico sanguíneo, a normalidade genética dessas crianças, isso daí faz parte desses cuidados do pré-natal para uma mulher numa faixa etária mais avançada.

Viva Mais Viva Melhor: Doutor! Caso uma mulher com mais de 40 anos deseje ter filhos é importante procurar um médico antes de engravidar?
Joaquim Lopes: Sim, sem dúvida, ela deve identificar como muitas enfermidades acontecem mais frequentemente em faixa etária mais avançada da mulher, é muito importante que ela faça uma avaliação pré-concepcional, nisso aí o médico vai avaliar não somente alterações do aparelho reprodutor da mulher como miomas, como endometriose e uma série de outras situações ,como vai identificar também a reserva ovariana dessa mulher para que saiba como é que está o potencial reprodutivo dela e vai também ter uma atenção direcionada para quando essa mulher engravidar ela ter uma atenção também sobre o concepto, sobre o bebê, para ter a certeza de que se gerou um bebê saudável sem problemas, sem comprometimento genético.  

Viva Mais Viva Melhor: E porque que engravidam após essa idade devem tomar ácido fólico? 
Joaquim Lopes: Não é só quando a mulher engravida após essa idade, o ácido fólico na realidade ele tem vantagens muito grandes de prevenir defeitos congênitos, principalmente defeitos ligados à coluna e toda a estruturas cefálica ele previne essas doenças de mulheres tanto jovens como mulheres idosas numa faixa etária mais avançada, então o uso do ácido fólico iniciando o ideal é que a mulher já engravide com algum depósito no seu organismo, que ela, ao decidir engravidar, já esteja tomando ácido fólico para que ela tenha esse depósito já previamente estabelecido no seu organismo antes que comece essa gravidez, é muito importante isso, independente da idade da mulher.

Viva Mais Viva Melhor: E quais são os exames para uma mulher saber que ainda pode engravidar após os 40 anos?
Joaquim Lopes: Olha, uma ultrassonografia é muito importante, nessa faixa após os 40 anos é importante realmente avaliar o risco de patologias mamárias, câncer de mama acontece numa faixa etária cada vez mais frequente hoje em dia sendo identificado e principalmente após os 40 anos, então tem que ser rastreada. Nos casos de câncer do colo uterino também a partir dessa idade são mais incidentes e precisa também ser avaliado através do exame preventivo de câncer, patologia tireoidiana de tireoide também tem que ser avaliada e independente disso daí realmente é fundamental se afastar endometriose e se vê também o parceiro é muito importante não só a mulher, também se vê o parceiro, quando essa mulher quer engravidar tem que se ver como é que está o espermograma desse homem porque a gravidez é fruto da participação masculina e feminina, então nós estamos focando sempre e falando em mulheres após os 40 anos mas o homem também com o evoluir da idade ele tem uma diminuição da fertilidade dele, não é uma diminuição tão gritante como a mulher mas, de qualquer forma, há uma redução da fertilidade do homem e, consequentemente, também ele precisa de ser investigado, quer seja quanto as doenças sexualmente transmissíveis, quer seja quanto a própria qualidade do sêmen dele, isso é muito importante que seja feito.   

Viva Mais Viva Melhor: Existem opções de tratamento para a mulher que não consegue engravidar naturalmente após os 40 anos? Os planos de saúde ou até mesmo o sistema único de saúde cobrem esse tratamento?
Joaquim Lopes: Olha, os planos de saúde cobrem os tratamentos mais simples, para que a mulher possa, tendo necessidade de buscar um tratamento através da medicina reprodutiva, infelizmente, aqui em nosso país, poucos são os estados que oferecem isso no SUS, na rede pública, a Bahia não oferece, então, aqui o que a gente tem visto é que muitas mulheres, não tendo recurso para fazer o seu tratamento viabilizando através de recursos próprios, elas têm recorrido a liminares através da justiça para que esses planos se sintam obrigados a custear o seu tratamento, muitas mulheres têm conseguido isso, muitos casais têm conseguido esse tratamento via judicial uma vez que os planos de saúde de modo espontâneo não oferecem essa possibilidade de tratamento.

Viva Mais Viva Melhor: Para finalizar Doutor Joaquim, quais são as orientações para que as mulheres possam mantém uma gestação saudável e com riscos reduzidos após os 40 anos?
Joaquim Lopes: Começa com avaliação pré concepcional do homem e da mulher, afastar as doenças viroses, as doenças que podem comprometer a gravidez, é avaliar como está a saúde dela, saúde mamária, a saúde tireoidiana, a saúde do aparelho reprodutor, ver a reserva ovariana para identificar se ela vai ter uma maior ou menor dificuldade para engravidar, esses cuidados são pré-natais. Os cuidados durante a gravidez começa com o pré-natal já desde o inicio, afastando as enfermidades que possam estar acontecendo, por exemplo, toxoplasmose, isso tem que ser se essa mulher é negativa para toxoplasmose, tem que ser acompanhada na gravidez porque a toxoplasmose, quando contraída na gravidez, pode levar até mesmo a cegueira dessa criança, então uma série de enfermidades que acontecem precisam ser acompanhadas, fiscalizadas, precisam ser vigiadas desde o começo do pré-natal. E aí, pelo fato dessa mulher engravidando após os 40 anos ela tem maior risco de pré-eclâmpsia e diabetes, ela precisa de ter então, uma investigação ligado a isso, fazer estudo realmente de glicemia, avaliação da pressão arterial, precisa de uma avaliação cardiológica mais detalhada e a investigação através de ultrassonografia pode mostrar alterações do aparelho reprodutor que podem induzir a um parto prematuro e naturalmente pode ser tomar os cuidados para que isso não aconteça, e o acompanhamento durante uma gravidez para uma mulher de 40 anos tem que ser uma vigilância mais de perto quer seja pelos cuidados de afastar patologias na gestante como patologias do próprio bebê e com isso evitar uma gestação com o parto prematuro ou uma insuficiência placenta. Então esses cuidados de pré-natal realmente eles começam com a pré-concepção que continuam no pré-natal inicial e avançam até realmente a proximidade, até o momento do parto.

Viva Mais Viva Melhor: Ok, conversamos com o Doutor Joaquim Lopes, ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana, Doutor, muito obrigada e até a próxima.