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Tema: Espondiloartrose

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Viva Mais Viva Melhor – As dores na coluna podem acontecer por diversas causas, uma das mais comuns é a espondiloartrose, uma doença degenerativa que causa uma série de alterações na coluna. Podem atacar ossos, ligamentos, disco intervertebral e nervos, causando dor e, se não tratada, pode ser incapacitante. Para esclarecer as dúvidas sobre o assunto quem conversa conosco é o médico Maurício Pimentel, especialista em ortopedia e cirurgia da coluna.

Doutor, vamos explicar, primeiramente, para os nossos ouvintes, o que é a espondiloartrose.
Dr. Maurício Pimentel – Bom, Olga, a espondiloartrose ou a espondilose, existem estas duas denominações para este mesmo problema, na verdade é um processo degenerativo das estruturas da coluna vertebral e decorre de um processo de envelhecimento fisiológico do nosso organismo. Algumas pessoas geralmente chamam de doença e eu não costumo usar muito este termo porque a doença é aquilo que foge do fisiológico, já a espondiloartrose é uma consequência do nosso próprio envelhecimento, sendo mais comum na coluna lombar. Ela aparece geralmente em uma maneira insidiosa em todos os pacientes acima dos 40 anos de idade e eu costumo dizer a eles Olga, que a espondiloartrose nada mais é do que os sinais de envelhecimento que aparecem especificamente nas estruturas da coluna vertebral semelhante aos cabelos brancos, as rugas de expressão e a todos os outros sinais de envelhecimento que aparecem em nosso corpo. Assim como em outras articulações também, é o mesmo processo degenerativo de uma maneira bem semelhante. Pode acontecer no joelho, que é denominado gonartrose, no quadril, que é denominada coxartrose, e nas mãos que é a rizartrose. Portanto não se trata de uma doença e sim de uma patologia degenerativa consequente do próprio processo de envelhecimento.

Viva Mais Viva Melhor – Ou seja, qualquer pessoa pode desenvolver a espondiloartrose.
Dr. Maurício Pimentel – Isso, qualquer pessoa. Geralmente acima dos 40 anos ela está sujeita às alterações anatômicas da coluna pelo processo de espondiloartrose, sendo que grupos específicos têm um aparecimento mais precoce da doença, mas é uma coisa que é fisiológica e está presente na vida de qualquer um de nós que venha a envelhecer. Especificamente pacientes portadores de artrite reumatoide, de outras doenças autoimunes, trabalhadores braçais, têm alguns estudos que mostram que trabalhadores que carregam muito peso têm uma tendência a fazer a doença de uma maneira mais precoce, com um desenvolvimento um pouco mais acelerado. Mas sem dúvida nenhuma qualquer pessoa que passa dos seus 40 anos ela vai ter sim a espondiloartrose, seja em maior ou em menor grau.

Viva Mais Viva Melhor – E quais as causas da espondiloartrose, considerando que o envelhecimento é um dos fatores a ser considerado, mas que pessoas também jovens, a depender de sua atividade, pode também desenvolver a espondiloartrose. Por que que ela acontece?
Dr. Maurício Pimentel – A espondiloartrose, Olga, como dito anteriormente, é um processo consequente do nosso envelhecimento. Claro que existem grupos específicos e trabalhadores que utilizam bastante o seu corpo e forçam a sua coluna, pessoas geralmente sedentárias e que assumem uma má postura, pacientes grandes fumantes, os trabalhos mostram que os grandes fumantes têm uma tendência através da impregnação da nicotina e de outros fatores do seu cigarro degenerar a sua coluna mais rápido. Mas o fator, sem dúvida nenhuma, mais prevalente e mais importante para o desenvolvimento é o passar dos anos, é o próprio envelhecimento do paciente.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os sintomas, doutor, que o paciente com espondiloartrose pode ter?
Dr. Maurício Pimentel – Os pacientes com espondiloartrose podem ter os mais variados sintomas. Existem os pacientes que são assintomáticos, que têm a doença porventura vista em alguns sinais radiográficos nos exames, mas os sintomas variam de uma simples dor lombar, que é o sintoma sem dúvida nenhuma mais comum, porque a coluna lombar é onde carrega mais o peso do nosso corpo, até sintomas muito mais exuberantes e em casos mais avançados de pacientes com déficits neurológicos, com parestesias, com formigamentos nos seus membros e, em casos mais avançados, especificamente na coluna cervical, os pacientes podem desenvolver inclusive uma doença da medula espinhal, que são casos muito mais graves. O quadro clínico é muito individualizado de paciente para paciente e não tem como a gente definir especificamente tais sintomas. Tudo isso vai depender muito do nível onde a doença está sendo acometida, vai depender se o paciente tem comorbidades, se tem outras doenças associadas que agravem ainda mais o seu quadro clínico, vai depender se o paciente ele é ou não sedentário, geralmente os sedentários eles têm sintomas mais exuberante, principalmente em relação ao processo doloroso. Então isso é bastante variável, Olga, a gente tem que individualizar o caso para poder definir qualquer tipo de conduta com o doente.

Viva Mais Viva Melhor – E como é que normalmente se identifica que o paciente tem espondiloartrose, que tipos de exames são necessários? 
Dr. Maurício Pimentel – A espondiloartrose é característica daqueles pacientes que chegam sintomáticos no consultório acima dos 40 anos. Claro que a gente faz toda investigação com uma boa anamnese, perguntando e buscando identificar os hábitos de vida do paciente, se ele é fumante, se ele pratica atividade física, se ele tem um sobrepeso, como que é o tipo de vida do paciente. Fazemos em seguida um exame neurológico detalhado, um exame físico detalhado, buscando justamente se o paciente tem alteração de sensibilidade, se tem alteração de força, se tem alteração dos seus reflexos e passado essa fase inicial da investigação o exame de escolha para uma chamada triagem do paciente é a radiografia simples da porção da coluna acometida para a gente buscar sinais radiográficos da espondiloartrose. Existem alguns sinais clássicos que a gente pode identificar no raios-X, como a diminuição do espaço intervertebral, área de esclerose nas vértebras, subluxações vertebrais e outros que nos indicam os tratamentos e os diagnósticos.

Os pacientes mais graves e com uma doença mais exuberante à radiografia e principalmente aos portadores de algum déficit neurológico eles são candidatos a realização da ressonância magnética para a gente identificar além do que foi achado na radiografia a gente ver toda a parte das raízes nervosas, da medula espinhal e observar se existe alguma compressão importante em cima destas estruturas que justifiquem os seus sintomas.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, nós falamos inicialmente que a espondiloartrose pode ser incapacitante. Pode por exemplo um paciente ter que se aposentar por invalidez em função de uma espondiloartrose?
Dr. Maurício Pimentel – Infelizmente sim, Olga. Os pacientes com espondiloartrose, a gente já falou anteriormente que temos os mais variados quadros clínicos, mas existem casos mais avançados que podem tirar o paciente sim da sua capacidade laboral, seja por uma dor lombar importante ou uma dor cervical importante ou até mesmo pelo aparecimento de uma fraqueza muscular, de uma parestesia que não melhora e que com certeza, dependendo da atividade profissional do paciente, estes sintomas são bastante agravados pela sua atividade e podem sim, infelizmente se não tratado e em casos avançados, tirar a capacidade laborativa do paciente sim.

Viva Mais Viva Melhor – Qual sua recomendação, doutor, em termos de cuidado que o paciente precisa ter para evitar o avanço ou o agravamento da doença?
Dr. Maurício Pimentel – Evitar o avanço é um pouco complicado, Olga. A partir do momento que é uma patologia degenerativa própria do envelhecimento de todos nós. Porém tem como sim a gente melhorar os sintomas, a gente mascarar um pouco estes sintomas com os pacientes tendo hábitos de vida mais saudável, pessoas com controle do peso, pessoas que praticam atividade física de uma maneira mais constante sem dúvida nenhuma podem conviver muito bem com os sintomas da espondiloartrose, controlá-los e ter uma vida com bastante qualidade. 

Viva Mais Viva Melhor – Quanto as opções de tratamento, quais seriam elas?
Dr. Maurício Pimentel – As opções de tratamento são bastante individualizadas e vai depender de uma série de fatores, Olga. Vai desde tratamento de uma dor leve, que ele pode ser apenas com alguns analgésicos ou com terapias adjuvantes, como a fisioterapia, como acupuntura, o RPG (Reeducação Postural Global), o pilates. Vai desde estes tratamentos simples, que geralmente têm uma grande melhora, até os casos mais graves, os pacientes que têm déficits neurológicos, que precisam de uma atenção um pouco maior, estes sim são os pacientes que preocupam um pouco mais. Mas a grande maioria dos pacientes que procuram o consultório é pela dor e essa sim tem vários tratamentos. A grande e absoluta maioria dos pacientes, digo aí a você uma média entre 90 e 95% com apenas mudança do hábito de vida, uso de algumas medicações por um tempo e melhora das suas atividades, fisioterapia, eles conseguem ter uma grande melhora dos seus sintomas e não são candidatos ao tratamento cirúrgico. A gente reserva o tratamento cirúrgico a uma média de 5 a 10% dos pacientes, que são aqueles que não tem uma melhora sintomática importante, que não conseguem retornar as suas atividades da vida diária, pacientes que mantêm um déficit neurológico progressivo, aquele que a cada retorno ele está com uma diminuição de força ou está com uma dormência mais importante no membro ou pacientes que desenvolvem doenças medulares, isso especificamente falando da coluna cervical. Os pacientes que perdem a capacidade de marcha e alguns outros achados no nosso exame físico, estes sim são candidatos a cirurgia. Mas saliento novamente que são a grande absoluta minoria dos pacientes, a maioria eles conseguem sim não curar, porque não é uma doença curável, mas eles conseguem estabilizar o processo degenerativo e ter uma qualidade de vida muito boa, sem precisar de cirurgia.

Viva Mais Viva Melhor – Bom, para finalizar, doutor. O quê que o paciente deve fazer em termos de prevenção contra a espondiloartrose?
Dr. Maurício Pimentel – Olga, eu costumo dizer aos meus pacientes que ter espondiloartrose é um privilégio de quem desfruta a vida por muito tempo. Não é uma doença do jovem, é uma doença de quem já passou dos seus 40 anos. Não existe como evitar. Evitar a doença é deixar de viver, isso é uma coisa que a gente jamais vai conceder, jamais vai aceitar. O que a gente deve fazer é manter hábitos de vida saudável, controlar nosso peso, fazer uma atividade física regular e evitar o sedentarismo, evitar a má postura no intuito de não deixar exacerbar estes sintomas. Então assim, não é uma doença que tenha cura, não é uma doença que tenha como evitar a sua progressão, porém o que a gente faz com ela, o que a gente faz dos hábitos da nossa vida com certeza trazem uma resposta bastante satisfatória para absoluta maioria dos pacientes.

Viva Mais Viva Melhor – Maravilha! Conversamos com o médico Maurício Pimentel, especialista em ortopedia e cirurgia da coluna. Doutor, muito obrigada e até a próxima.
Dr. Maurício Pimentel – Muito obrigado Olga, eu que agradeço e até a próxima.