NOSSAS ENTREVISTAS

Tema: Distúrbio do Sono

 (071) 30... Ver mais >

Olga Goulart – Quem não já teve uma noite mal dormida, sono em excesso ou algum tipo de problema ligado ao sono? Qualquer uma destas opções resultam em dias pouco produtivos e até mesmo mau humor. Insônia, ronco e sonambulismo são alguns dos mais comuns distúrbios que afetam o nosso sono. E você sabia que o sono tem 4 fases? Cada uma delas é responsável por uma atividade diferente, ou seja, dificuldade em qualquer uma dessas fases do sono pode trazer prejuízos a curto ou longo prazo, mas para a alegria de muitos os distúrbios do sono têm tratamento. Para conversar sobre o assunto convidamos a doutora Adja Oliveira, especialista em otorrinolaringologia e medicina do sono.

Doutora, qual a importância de uma boa noite de sono para nossa saúde?

Dra. Adja Oliveira – Durante o sono, ao contrário do que se parece, o sistema nervoso central permanece ainda em atividade e todo nosso corpo sofre alterações que são importantes para manter a fisiologia adequada. Quando não se dorme a quantidade suficiente do bom sono, os problemas de sono podem aparecer. Podendo ter alterações comportamentais, como a irritabilidade, agitação, dificuldade de concentração, desânimo, problemas de memória e de aprendizado. Podem surgir alterações de humor ou uma depressão e ansiedade. Uma noite mal dormida pode, inclusive, levar a acidentes no trabalho e no transito.

Olga Goulart – Bom doutora, já que existe 4 fases, o quê que acontece quando dormimos? Quais as fases do nosso sono?

Dra. Adja Oliveira – Bem, o estágio 1 é o mais superficial e corresponde a 5% do tempo total do sono. É o sono de transição, da vigília no sono, quando ocorre a liberação da melatonina que promove a sonolência. O estágio 2 é o mais prolongado, chegando até a 50% do tempo total do sono, além de outras funções, já tem participação na restauração da energia do corpo, a respiração vai ficando cada vez mais regular com o relaxamento gradual da musculatura. No estágio 3 já temos um sono considerado profundo, onde encontramos a menor taxa metabólica do organismo, ocorrendo então uma intensa liberação hormonal como por exemplo o hormônio do crescimento (GH). O último estágio do sono é o sono REM, também chamado de sono paradoxal, pois neste período associado ao máximo de relaxamento da musculatura temos também um ápice na atividade cerebral, podendo superar inclusive a atividade da vigília, é quando ocorre os sonhos, com variação na pressão arterial, na frequência cardíaca e na frequência respiratória, esta fase é fundamental para a memória e para o aprendizado.

Olga Goulart – Quantas horas de sono, doutora, são necessárias para a gente descansar? É correto afirmar que quanto mais velhos menos horas de sono são suficientes para descansar?

Dra. Adja Oliveira – A maior parte das pessoas dormem em média 8 horas de sono. Porém a quantidade de sono varia de pessoa para pessoa. Temos aqueles que precisam de muitas horas de sono, mais de 8 ou 9 horas de sono, são chamados de dormidores longo. Porém existem aqueles que precisam de menos de 6 horas, são chamados de dormidores curtos. A medida que envelhecemos, realmente temos uma diminuição total do tempo de sono.

Olga Goulart – Bom, quando falamos em distúrbios do sono, quais são os mais recorrentes?

Dra. Adja Oliveira – Existem diversos distúrbios de sono que acontecem a depender da faixa etária de cada pessoa, mas os mais comuns são a insônia e a apneia do sono.

Olga Goulart – E qualquer pessoa pode sofrer distúrbio do sono, doutora, crianças e bebês também?

Dra. Adja Oliveira – Sim, infelizmente qualquer pessoa pode sofrer com distúrbio do sono, variando nas causas e nas principais doenças que podem provocar os distúrbios do sono. 

Olga Goulart – E quais são as principais causas do distúrbio do sono?

Dra. Adja Oliveira – Existem diversos distúrbios do sono, tanto que eles são classificados em 8 grandes grupos, mas as doenças mais comuns é a insônia e a apneia do sono.

Olga Goulart – Como é que se reconhece quando uma pessoa dorme mal, quais são os sintomas?

Dra. Adja Oliveira – Podemos perceber os sintomas durante o dia, a pessoa não consegue ter um sono restaurador, acorda cansada e durante o dia permanece com fadiga ou cansaço físico e mental, sonolência e dificuldade na concentração, uma desatenção e um esquecimento das coisas mais recentes.

Olga Goulart – Existem exames para se detectar os distúrbios do sono num paciente? Quais são estes exames?

Dra. Adja Oliveira – Sim, existem diversos exames. A polissonografia é o principal exame. Neste exame o paciente é monitorizado e diversas informações sobre os estágios do sono, a saturação de oxigênio, fluxo de ar, frequência respiratória e cardíaca, os movimentos dos membros e do corpo, tudo isso é registrado, podendo permitir avaliar o tipo e a gravidade do distúrbio do sono.

Olga Goulart – E as opções de tratamento, doutora, quais são as opções de tratamento para os distúrbios do sono?

Dra. Adja Oliveira – O tratamento dos distúrbios do sono ele é direionado para a sua causa específica. Ele envolve desde o uso de medicações, como a abordagem do hábito de vida da pessoa, higiene do sono, um acompanhamento psicológico e até a utilização de dispositivos como o CPAP que são utilizados em pacientes que tem apneia do sono.

Olga Goulart – Pessoas que dormem com quem ronca, por exemplo, podem sofrer de outros distúrbios do sono por conta deste mau dormir ao lado do companheiro, não doutora?

Dra. Adja Oliveira – Sim, com certeza. Os companheiros dos roncadores geralmente sofrem com a fragmentação do sono. São despertares frequentes e que dificulta o avançar dos estágios mais profundos, uma vez que ao acordar o paciente volta novamente para o estágio 1. Assim, tendo todos os problemas de privação crônica que os pacientes com distúrbios do sono podem ter.

Olga Goulart – Se não tratados, doutora, os distúrbios do sono podem gerar complicações ou levar a problemas mais graves?

Dra. Adja Oliveira – Sim, sim. Os pacientes que não dormem têm um aumento do risco para doenças cardiovasculares como o AVC, pressão alta, infarto agudo do miocárdio e também alterações metabólicas como o diabetes, podendo inclusive levando a morte. Além disso, pode levar a acidentes de trabalho e no trânsito principalmente em motoristas.

Olga Goulart – E qual é o especialista que o paciente deve procurar no caso de suspeita de distúrbios do sono?

Dra. Adja Oliveira – Atualmente a Associação Médica Brasileira reconhece a medicina no sono como área de atuação de 5 especialidades. Nesta lista temos psiquiatra, pneumologista, neurologista, clínico geral, otorrino e pediatra.

Olga Goulart – Doutora, se formos falar em prevenção, quais são as dicas que você poderia dar para termos uma noite bem dormida?

Dra. Adja Oliveira – Inicialmente observar o quarto, o conforto do mesmo, silêncio, se ele está bem higienizado, escuro também, para poder manter uma adequada noite de sono. Manter um horário regular para dormir também é importante, evitar estimulantes próximo a hora de dormir como a cafeína que está presente no café, chocolate, chá e nos refrigerantes, deve-se também evitar bebidas alcóolicas. Vá para a cama apenas quando a pessoa está realmente com sono, evitando estar na cama sem o sono chegar e ficar rolando de um lado para o outro. É importante fazer uma rotina que seja relaxante para preparar o organismo para dormir, evitando então as atividades estimulantes e estresse. No geral devemos manter hábitos saudáveis de alimentação e de atividade física.

Olga Goulart – Ok. Conversamos com a médica Adja Oliveira, especialista em otorrinolaringologia e medicina do sono. Doutora, muito obrigada e até a próxima oportunidade aqui no Viva Mais Viva Melhor.