NOSSAS ENTREVISTAS

Tema: Câncer de Esôfago

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Olga Goulart – O esôfago é um tubo que faz parte do sistema digestivo e liga a garganta ao estômago. Segundo o INCA no Brasil o câncer de esôfago é o sexto mais frequente entre os homens e o décimo quinto entre as mulheres, excetuando-se o câncer de pele não melanoma. No mundo ocidental a doença tem maior frequência em homens, negros, com mais de 50 anos de idade e de nível socioeconômico baixo. A estimativa é de aproximadamente de 10.780 novos casos no Brasil em 2015. 

Para conhecer um pouco mais dessa doença hoje nós vamos conversar com o doutor Eduardo Moraes, que é médico oncologista do Núcleo de Oncologia da Bahia, o NOB. Doutor, o que é o câncer de esôfago? Em uma definição mais simples para que as pessoas entendam.

Dr. Eduardo Moraes – É um grupo de doenças de cânceres que ocorrem no esôfago, que como você bem colocou Olga, é o tubo que leva a comida da boca até o estômago. Existem dois tipos principais, um chamado escamocelular que está mais associado com o excesso de bebida e o cigarro. E o segundo que está se tornando cada vez mais comum na população brasileira que é o adenocarcinoma, que ocorre no terço distal do esôfago, que é próximo do estômago e que está associado a obesidade e com o refluxo que é tão comum na nossa população. 

Olga Goulart – E quais são os sintomas, doutor, de indícios do câncer de esôfago?

Dr. Eduardo Moraes – Olha, o mais comum é a dificuldade para engolir alimentos. Você também pode ter dor, vômitos com sangue ou pós-alimentação.

Olga Goulart – Certo. Um problema, por exemplo, de gastrite ou de doença de refluxo gastresofágico poderiam inclusive ser similares aos sintomas do câncer de esôfago, ou não?

Dr. Eduardo Moraes – Sim, inclusive estão associados. Como eu falei inicialmente, uma pessoa que tem um refluxo gastresofágico ao longo de vários anos pode levar uma inflamação da parede do esôfago porque o esôfago não está preparado para tolerar o conteúdo ácido do estômago. Então aquela acidez irritando o esôfago ao longo de vários anos leva a uma alteração da membrana que reveste o esôfago, que é chamada de esôfago de Barrett e essas alterações podem levar a um câncer do esôfago.

Olga Goulart – Bom, de qualquer maneira sintomas como esse normalmente levam as pessoas a tomarem aqueles remedinhos para dar um certo conforto, deixando, portanto, de realizar os exames mais específicos, que se detectado precocemente o problema certamente é muito mais fácil de uma solução boa para o paciente.

Dr. Eduardo Moraes – Sem dúvida nenhuma. Mas aí é muito importante a duração dos sintomas. Uma pessoa que tem um certo desconforto epigástrico, uma gastrite que dura menos de 4 a 6 semanas, eu acho que isso aí é mais comum, normalmente está associado ao estresse que é tão comum em nossa vida hoje em dia. Agora se os sintomas persistem por vários meses, não há dúvida que você deva procurar um médico. Principalmente se vier associado a dificuldade de engolir, perda de peso e vômitos.

Olga Goulart – Além claro de uma anamnese clínica, doutor, que outros exames são realizados para se precisar um diagnóstico?

Dr. Eduardo Moraes – O exame mais importante é a endoscopia, que é aquele exame que você coloca um tubo com a câmera na ponta através da boca e que vai até o estômago. Esse exame em mãos de profissionais habilidosos pode detectar, inclusive, lesões precoces, que podem ser inclusive ressecadas ou retiradas por via endoscópica.

Olga Goulart – Certo, essa é uma das formas de tratamento, não é? Num estágio inicial da doença?

Dr. Eduardo Moraes – Isso, num estágio bem inicial pode ser removido localmente.

Olga Goulart – E em termos de novidade em tratamento, doutor, para os casos mais complexos?

Dr. Eduardo Moraes – Olha, o que nós temos visto hoje é uma associação de quimioterapia e radioterapia nas doenças localmente avançadas, isso seguido de cirurgia e isso tem se mostrado superior ao tratamento cirúrgico que era o tratamento padrão até alguns anos atrás. Entretanto, é importante salientar que esse tratamento deve ser feito somente em centros com experiência nesse tipo de tratamento, pois esse tratamento inicial que nós chamamos de neoadjuvante de quimio e radioterapia pode levar a uma maior complicação na cirurgia. Então é importante você ter um centro com experiência e cirurgiões experientes neste tipo de cirurgia.

Olga Goulart – Ok. No início das suas orientações, doutor, você falou muito claramente sobre os fatores de risco, portanto vamos finalizar falando das mudanças no nosso estilo de vida que poderiam ajudar muito na prevenção do câncer de esôfago.

Dr. Eduardo Moraes – Não há dúvida. O câncer de esôfago é um câncer associado a hábitos de vida, principalmente o adenocarcinoma que está associado a obesidade e ao refluxo. Então mais importante é uma boa dieta rica em frutas e verduras, pouca gordura, pouca carne vermelha, atividade física e obviamente não fumar em hipótese nenhuma e consumir bebidas alcóolicas em pouca quantidade. 

Olga Goulart – Ok. Doutor Eduardo Moraes muito obrigada e até a próxima dica aqui no Viva Mais Viva Melhor.