NOSSAS ENTREVISTAS

Mitos e Verdades - Câncer Colorretal

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Olga Goulart – Na nossa série ‘Mitos e Verdades’ nós seguimos conversando com o doutor Herbert Almeida sobre o câncer colorretal.

Doutor, eu vou fazer algumas afirmativas e o senhor vai me dizer se isso é mito ou é verdade. Por exemplo, o câncer colorretal afeta somente idosos?

Dr. Herbert Almeida – Isso é um mito, na verdade como a maioria dos cânceres o câncer colorretal acomete principalmente idosos, porém existem muitos casos de pessoas antes dos 60 anos de idade que também apresentam a doença.

Olga Goulart – E não há nada que as pessoas possam fazer para evitar o câncer de intestino?

Dr. Herbert Almeida – Na verdade existe sim, isso é um outro mito. Existem algumas atividades preventivas que diminuem a possibilidade do câncer colorretal, assim como diminuem a possibilidade de ter outros tipos cânceres também. Então a principal prevenção consiste na mudança de alguns hábitos de vida como parar tabagismo, minimizar a ingestão de bebidas alcóolicas, mudar os hábitos alimentares e praticar atividades físicas. Além disso, tanto para grupos de maior risco quanto para grupos de menor risco, existem alguns métodos de rastreio que estão bem estabelecidos. Para a população de forma geral esse rastreio começa aos 50 anos de idade e pode ser feito por colonoscopia a cada 10 anos, a combinação de retossigmoidoscopia, que é um exame endoscópico que tem um menor alcance, a cada 5 anos combinado ou não com testes para pesquisa de sangue nas fezes.

Para as pessoas que tem um risco maior, ou seja, que já tiveram um caso familiar como um pai ou uma mãe ou um outro parente de primeiro grau acometido, esse rastreio começa aos 40 anos ou então 10 anos antes da idade do caso mais novo da família. Então, se o paciente teve um pai que teve um câncer colorretal aos 38 anos ele começa a fazer o rastreio aos 28 anos.

Olga Goulart – Ok. Mito ou verdade, o câncer de intestino é fatal.

Dr. Herbert Almeida – Mito, nem sempre ele é fatal, tudo depende do estágio em que a doença é diagnosticada, como acontece com outros tipos de cânceres também. Então nos casos iniciais a cura chega a mais de 90%, que são aqueles casos em que a gente detecta na colonoscopia exatamente no exame de rastreamento e é por isso que ele existe. Obviamente nos casos mais avançados em que a disseminação da doença para outros órgãos já ocorreu essa possibilidade diminui muito, mas ainda assim é possível em um grupo selecionado de pacientes.

Olga Goulart – E o rastreamento é necessário só para os indivíduos que tem sintomas?

Dr. Herbert Almeida – Não, isso é um mito. Na verdade, o indivíduo com sintomas nós já chamamos de investigação diagnóstica, não seria mais um rastreamento, o conceito de rastreamento ele se estabelece justamente em detectar a lesão nas pessoas assintomáticas e isso é feito pelos métodos e nos critérios que eu comentei antes.

Olga Goulart – Hemorroida causa câncer, é mito ou verdade?

Dr. Herbert Almeida – Grande mito. Na verdade, a hemorroida é uma doença benigna, como se fosse varizes na região do reto, perianal e do ânus, é muito pouco comum na população em geral, ela as vezes pode abrigar um câncer de canal anal, que é outro tipo de neoplasia maligna, porém não tem relação com o surgimento dessa doença também, seria apenas uma coincidência, as vezes o paciente vai operar hemorroida e na peça descobre que tem o câncer de canal anal. Mas é só uma coincidência de surgir o câncer na localização onde tinha hemorroida, a hemorroida não é causadora desse tipo de câncer também.

Olga Goulart – Ok. Todo sangramento nas fezes deve ser investigado?

Dr. Herbert Almeida – Sim, todo sangramento pode ser investigado, eventualmente ele pode ser justificado por patologias benignas, como um paciente jovem que tem hemorroida, então termina que inicialmente trata a hemorroida e vê como vai ficar. Se esse sintoma persiste apesar do tratamento de uma patologia benigna ou se essa patologia benigna não justifica o volume do sangramento ou o paciente tem idade de risco ou sinais de alerta com a obstipação e perda de peso junto, pode ser que desde o início já seja indicada a realização da colonoscopia para poder investigar, mas essa investigação não é rígida, de acordo com a idade, os sintomas, presença ou não de doenças mais evidentes pode ser que mude a investigação, mas todo sangramento deve ser investigado sim. 

Olga Goulart – É verdade que mesmo quem não tem os sintomas devem fazer a colonoscopia como um exame preventivo no momento indicado?

Dr. Herbert Almeida – Veja bem, se o paciente se encaixa em algum grupo daqueles de rastreamento que eu falei, independentemente dos sintomas ele tem que ser investigado para detecção de possíveis lesões precoces. A colonoscopia é o exame mais difundido, ele tem muitas vantagens, principalmente na possibilidade de tratar as lesões que sejam logo detectadas, mas como eu comentei existem em outras possibilidades um pouco menos invasivas, obviamente não tão boas assim, mas que podem ser oferecidos ao paciente também.

Olga Goulart – Ok. Mito ou verdade quando dizemos que a cirurgia é o método que oferece maior chance de cura?

Dr. Herbert Almeida – Em parte mito e em parte não. Na verdade, quando nós falamos de lesões iniciais, aquelas que são detectadas na colonoscopia, nos pólipos, que na maioria das vezes são lesões iniciais antes de surgir o câncer mais avançado, o tratamento pode ser feito via colonoscopia com a ressecção desses pólipos, obviamente nas lesões maiores a cirurgia tem que fazer parte do tratamento, em algum momento, se a intenção desse tratamento é curar.

Olga Goulart – Certo. Mito ou verdade quando o paciente pensa que sempre vai precisar usar uma bolsa de colostomia após a cirurgia?

Dr. Herbert Almeida – Esse é um mito. Na verdade, na maioria das vezes o paciente não sai da cirurgia com bolsa de colostomia, alguns pacientes precisam fazer uso de algum tipo de ostomia, que pode ser ou a colostomia que é quando é com o cólon ou a ileostomia que é com o intestino delgado, para proteger uma costura do intestino durante algum tempo e posteriormente elas são desfeitas, e numa minoria de casos, entretanto, infelizmente vai ser necessária uma colostomia definitiva como parte do tratamento com a intenção de curar.

Olga Goulart – Ok. E a última perguntinha da nossa série ‘Mitos e Verdades’ doutor, mesmo com a metástase o paciente pode ser operado e obter cura?

Dr. Herbert Almeida – Sim, para os casos avançados o tratamento na maioria das vezes é com quimioterapia, mas alguns pacientes selecionados, mesmo quando ele tem metástase no fígado ou no pulmão ou até nos dois sítios, podem ser candidatos ao tratamento cirúrgico para tirar essas lesões e uma porcentagem deles em torno de 30% dos pacientes que tem metástase no fígado, no pulmão ou nos dois e que é essa metástase ressecável a possibilidade de cura é em torno de 30% a 33%.

Olga Goulart – Ok. Conversamos com o doutor Hebert Almeida, cirurgião oncológico. Muito obrigado doutor.