NOSSAS ENTREVISTAS

Mitos e Verdades sobre Baropodometria

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Viva Mais Viva Melhor – Você sabia que cada pessoa tem um tipo de pisada? Através da baropodometria já é possível fazer a medida da pressão plantar dos pés a fim de descobrir qual o tipo de calçado pode ajudar a corrigir problemas em várias partes do corpo. O exame é realizado principalmente por praticante de corrida de rua, sejam eles amadores ou profissionais que buscam o melhor tênis para praticar o esporte. Por isso, muitas dúvidas surgem a respeito do assunto e para desmistificar um pouco sobre esse tema, na nossa série Mitos e Verdades, quem conversa conosco hoje é o fisioterapeuta Tiago Santos. Tiago, explica para os nossos ouvintes se é correto afirmar que o tipo de pisada pode interferir no dia-a-dia das pessoas.
Tiago Santos – Cada tipo de pisada apresenta uma característica, por exemplo, pisadas supinada, aquela que a pessoa pisa com a parte lateral do pé são pisadas mais rígidas, onde não acontece a absolvição adequada e dispersamento adequado das pressões que vêm do solo para o pé, dessas forças que vêm do solo para o pé. Então, a depender de como essas forças podem ser dissipadas, algumas musculaturas podem trabalhar mais ou menos provocando assim dores e alterações biomecânicas, que podem interferir na mecânica adequada do joelho, do quadril e da coluna e assim provocar dores para essas pessoas que têm excesso de alterações podais.

Viva Mais Viva Melhor – A baropodometria avalia apenas o tipo de pisada do paciente, isso é mito ou é verdade?
Tiago Santos – Isso é um mito, Olga. Pelo seguinte, na baropodometria a gente consegue avaliar também o tipo de pé, a questão da distribuição das forças nas regiões podais, como é que está a distribuição da parte de trás do pé/calcanhar chamado de retropé e da parte da frente do pé chamado de antepé. A depender de como esteja essa distribuição a gente faz uma avaliação também da questão postural dessa pessoa. Pessoas que têm um aumento de pressão na parte da frente do pé ela tem um acionamento do mecanismo extensor do corpo e isso pode provocar algumas lesões. Já pessoas que têm um aumento de pressão na parte de trás do pé (calcanhar) têm o acionamento do mecanismo flexor do corpo. Também na baropodometria a gente consegue avaliar o índice de oscilação corporal e instabilidade postural desta pessoa. Então, quando a pessoa sobe no equipamento, ele vai avaliar quanto essa pessoa oscila de frente para trás (anteroposteriormente) e de um lado para o outro (lateralmente), com isso a gente consegue saber se essa pessoa tem déficit de musculatura do quadril, se tem déficit de musculatura do tornozelo, se tem os dois juntos e também a gente consegue fazer uma diferenciação de oscilações anormais por parte muscular ou por outras estruturas, como lesões no ouvido interno, tipo labirintite, ou lesões no sistema nervoso central. 

Viva Mais Viva Melhor – O tipo de pisada não está relacionado apenas, portanto, com os pés, pode também provocar algumas alterações biomecânicas no joelho, quadril e coluna. Mito ou verdade?
Tiago Santos – Isso é verdade, Olga. Porque os pés são a estrutura do corpo que tem contato direto com o solo. Qualquer alteração biomecânica nos pés vai levar a uma sobrecarga ascendente, que pode ocasionar lesões no joelho, no quadril ou na coluna. Conforme essa pessoa caminha ou conforme ela corre a gente pode ter sim uma sobrecarga nessas estruturas gerando sim uma patologia.

Viva Mais Viva Melhor – Apesar da baropodometria ser preferencialmente utilizada para corrigir problemas de pisada e tratar lesões, também é possível realizar o teste apenas para avaliar a forma da pisada e assim saber com mais propriedade qual tênis comprar para correr, mito ou verdade?
Tiago Santos – O exame vai auxiliar ao praticante de atividade física a escolher o melhor tipo de tênis para a sua característica da pisada. Lembrando sempre que nenhum tênis vai corrigir os problemas biomecânicos e anatômicos do pé. O tênis é indicado para pessoas que têm pés mais rígidos, pessoas que têm pés mais maleáveis, mais flexíveis e a partir daí a gente faz a indicação do tênis. O que vai fazer a correção das alterações podais hoje são as palmilhas, que são fabricadas de forma personalizada para cada tipo de alteração e ela faz um somatório com o tênis voltado a característica do pé dessa pessoa.

Viva Mais Viva Melhor – Para se obter melhores resultados o ideal é a realização de um teste de baropodometria feito por fisioterapeutas ou médicos ortopedistas, isso é verdade ou é mito?
Tiago Santos – Olga, preferencialmente que seja feito por um médico ou um fisioterapeuta. Mas hoje, no que eu conheço de contexto de Brasil, de alguns estados que viajo para dar curso, hoje os profissionais que mais fazem o exame de baropodometria são os fisioterapeutas. Porque a maioria dos cursos, tanto no Brasil como fora do Brasil, a grande maioria das pessoas que frequentam esses cursos são fisioterapeutas. Então o ideal é que seja feito por profissionais que tenham o conhecimento de posturologia clínica, de podoposturologia e de biomecânica bem aprofundados.

Viva Mais Viva Melhor – Crianças não podem passar por análise de baropodometria, essa afirmativa é verdadeira ou falsa?
Tiago Santos – Ela é falsa, Olga. Mas a gente deixa aqui um esclarecimento. O ideal é que crianças que vão fazer este exame sejam crianças a partir de 6 anos de idade ou se a criança está abaixo dessa idade venha fazer exame porque essa criança tem dor ao caminhar, essa criança numa linguagem popular ela manca, ela cai com frequência, então nesses casos a avaliação pode ajudar sim essas crianças.

Viva Mais Viva Melhor – Há fisioterapia para correção da pisada? Mito ou verdade?
Tiago Santos – Existe o complemento na fisioterapia para o tratamento de alterações podais. A gente primeiro precisa identificar a causa, e em algumas vezes ela é cirúrgica e outras vezes não. Então a gente identifica a causa. A palmilha para pessoas que têm alterações podais moderadas e graves ela é imprescindível e após isso em complemento são feitos exercícios para fortalecer algumas musculaturas que estão em déficit para controlar essa questão da pisada. Por exemplo, pessoas que têm pisada pronada são pessoas que têm um déficit na musculatura do tibial posterior. Já pessoas que têm pisada supinada excessiva são pessoas que têm déficit na musculatura dos fibulares, somente o fibular longo. Então é nesse ponto que a fisioterapia vai atuar, fortalecendo essas musculaturas.

Viva Mais Viva Melhor – Tiago, nos enviaram uma dúvida através das redes sociais que é a seguinte: “Andar na areia cura pé chato”. Isso é mito ou é verdade?
Tiago Santos – Isso é um grande mito. Isso foi convencionado e é aquela história, aquilo que é passado por muitas pessoas termina tornando-se uma verdade, mas é um grande mito. Porque o pé chato ou pé plano, vamos voltar no caso das crianças, se você for numa festa infantil onde a gente vê crianças correndo o tempo todo, crianças até 5 anos de idade é muito comum apresentar o pé plano ou pé chato. Se não fosse assim a gente sairia da festa dizendo que é uma epidemia de pé plano ou pé chato nas crianças. Então a partir dos 6 anos de idade é que o arco longitudinal medial vai começar a se formar de modo intensificado. Quando as pessoas pensam em andar na areia elas acham que andando na areia vai fortalecer alguns músculos que vão ajudar na formação do arco longitudinal medial, mas a formação deste arco não é só pela parte muscular, também envolve a parte óssea e a parte de ligamentos. Então os pais não precisam ficar preocupados porque a criança tem o pezinho plano. A única coisa que o pai precisa ficar atento é se a criança até os 6 anos e ela apresenta dor, se o pé dela é muito rígido e ela ao caminhar manca muito e ela refere que alguns tipos de calçados podem e levam elas a sentirem mais dificuldades para andar. Mas quanto a isso o pai e os profissionais de saúde mais observam essa criança do que fazem uma intervenção.

Viva Mais Viva Melhor – Pessoas que sentem muitas dores nos pés elas precisam primeiro ir no ortopedista antes de se consultar com o fisioterapeuta?
Tiago Santos – Olga, sempre é bom primeiro fazer uma consulta com o médico, porque dores nos pés podem ter várias causas, podem ser simplesmente de um machucado, uma pessoa que pisou numa pedra e machucou um pouquinho o pé ou pode ser de uma fasciíte plantar que é uma inflamação na fáscia do pé, um esporão do calcâneo, um neuroma de Morton que é como se fosse um tumorzinho na região entre o segundo e o terceiro metatarso, uma metatarsalgia que são dores nas regiões das cabeças metatarsianas ou até fraturas. Então o ideal é sempre que ela vá ao médico para fazer um diagnóstico diferencial e após isso ela possa vir a um fisioterapeuta para a gente fazer a realização do exame de baropodometria, que geralmente o médico hoje em dia, eu trabalho com muitos ortopedistas especialistas em pé e hoje eles já pedem o exame para a gente ver como é que estão essas pressões plantares. A partir do diagnóstico que foi feito a gente pode desenvolver uma palmilha ou ver se pessoa precisa fazer uma intervenção cirúrgica.

Viva Mais Viva Melhor – Para finalizar, doutor, quais são as lesões mais comuns encontradas nos pacientes que realizam a baropodometria? 
Tiago Santos – As lesões mais comuns, Olga, são a fasciíte plantar, as questões dos neuromas de Morton, mulheres que usam muito salto alto e desenvolvem a metatarsalgia, pessoas que têm esporão e hoje em dia muitos corredores, sejam eles amadores ou profissionais ou praticantes de atividade física estão nos procurando muito porque apresentam dores anteriores de joelho, dores de quadril e dores de coluna durante a prática do exercício. Então eles vão lá para saberem se tem algo de errado com a sua biomecânica da corrida, a gente faz a avaliação completa e a partir daí a gente consegue identificar quais são os fatores que estão causando essas dores, mas sempre fazendo um contato muito próximo com o médico e com os professores de educação física, para a gente conseguir ir eliminando de forma clara e consciente esses fatores que podem estar causando essas lesões nos pacientes.

Viva Mais Viva Melhor – Ok. Conversamos com o fisioterapeuta Tiago Santos. Tiago, muito obrigada e até a próxima.