NOSSAS ENTREVISTAS

Matéria Viva Mais sobre Alzheimer

Com participação de Dr. Jonas Gordilho

Viva Mais Viva Melhor – Tipo comum de demência que acomete principalmente pessoas a partir dos 65 anos, o Alzheimer é uma doença do cérebro caracterizada pela perda de memória, de atenção, desorientação e dificuldade de planejamento. De acordo com o médico geriatra, doutor Jonas Gordilho, o diagnóstico precoce é muito importante, pois o tratamento ajuda a retardar a progressão da doença.

Dr. Jonas Gordilho – O diagnóstico precoce é importante uma vez que, a doença de Alzheimer é um tipo específico de demência. Existem outros fatores que podem levar a injúria do tecido cerebral, então por isso nós temos que prevenir fatores de risco como a hipertensão, o diabetes, obesidade, tabagismo, dieta inadequada, uma vez que todas essas condições podem levar a um aumento do risco de doença cerebrovascular e assim fazer com que o paciente tenha uma piora do esquecimento. Também é importante o diagnóstico precoce uma vez que a gente possa estimular o paciente a ter um treinamento cognitivo mais adequado.

Viva Mais Viva Melhor – A psicóloga Camila Lima começou a perceber os primeiros sintomas da doença em dona Marieta quando ela tinha 60 anos, porém, ela só se deu conta que era Alzheimer quando sua avó começou a esquecer os netos.
Camila Lima – Minha avó começou a desenvolver os primeiros sintomas muito jovem, por volta dos 60 anos de idade ela já começou a apresentar alguns pequenos esquecimentos e que para a família ficava como aquela coisa “ah, é porque está velha, é coisa da idade, é comum”, e ninguém levava muito a sério. Ela começou a esquecer pequenas coisas, por exemplo, onde tinha guardado algumas coisas, nome de pessoas mais distantes, horários de remédio e algumas coisas assim. Depois os sintomas foram se agravando e foi aí que a família começou a realmente suspeitar que não era normal. Pouco tempo depois que esses pequenos esquecimentos começaram se agravou de forma muito rápida. Um certo dia a gente se encontrou num lugar fora do que a gente costumava se encontrar e ela não me reconheceu, foi aí que eu percebi que realmente a doença era muito mais grave. De maneira geral, o meu pai e minhas tias não levavam muito a sério. Quando se deram conta já era uma coisa quase que irreversível, apesar da doença não ter cura, se a gente tivesse realmente levado a sério desde muito antes teria condição de retardar a evolução da doença e as pessoas só começaram a levar a sério mesmo quando ela passou a ter comprometimento muito grave, como por exemplo, já não conseguia ir ao banheiro sozinha, deixar de comer, uma vez ela saiu de casa sem avisar a ninguém, se perdeu na rua e um vizinho achou ela e isso nunca tinha acontecido.

Viva Mais Viva Melhor – O geriatra Jonas Gordilho ainda acrescenta que o Alzheimer é uma doença que não tem cura. Portanto, para garantir maior qualidade de vida, a família precisa reconhecer e compreender as deficiências do idoso.
Dr. Jonas Gordilho – Bem, a doença de Alzheimer não tem cura. No entanto, ela pode ter uma progressão que vai de 2 até 20 anos, depende muito do paciente e dos fatores de risco que estão associados. Uma vez identificada e diagnosticada a doença de Alzheimer, é muito importante que o paciente tenha uma rede social de cuidado. Essa pessoa idealmente não deve ser deixada sozinha para prevenir complicações como quedas, uso inadequado de medicações ou até mesmo prevenir outros acidentes domiciliares também. Essa rede social também é importante para dar as medicações de forma adequada, para que o paciente se sinta acolhido e cuidado. Outra coisa importante é que muitas vezes o paciente com Alzheimer pode ficar um pouco irritado quando ele é confrontado, então é muito importante abordar de forma correta, não contestar o indivíduo com Alzheimer, não bater de frente. Existem várias técnicas de abordagem que podem ser utilizadas de forma a melhorar o dia-a-dia do paciente que tenha a doença de Alzheimer.

Viva Mais Viva Melhor – Com informações do site VivaMaisVivaMelhor.com Camila Paranhos.