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Tema: Câncer de Mama

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Viva Mais Viva Melhor – De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama é o tumor maligno mais comum em mulheres e o que mais leva brasileiras à morte. Porém, quando diagnosticado e tratado precocemente, as chances de cura chegam a 95% e, por isso, a importância da rotina de prevenção. Para esclarecer as dúvidas mais frequentes sobre o assunto, convidamos a médica Gabriela Arruda, especialista em Mastologia.

Doutora, primeiramente, explica para os nossos ouvintes, o que é o câncer de mama como é que ele se desenvolve?
Dra. Gabriela Arruda – Câncer é o nome dado a um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento celular desordenado e pela capacidade de invadir outros órgãos. Os tumores são formados a partir desta multiplicação celular sem controle e serão chamados de câncer de mama quando ocorre nas mamas ou axilas.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico do câncer de mama, doutora Gabriela?
Dra. Gabriela Arruda – O sinal mais frequente é a presença de nódulo não doloroso e endurecido na mama. Outros achados, porém, devem ser considerados, como deformidade e abaulamentos nas mamas, a retração da pele ou do mamilo, gânglios axilares aumentados, vermelhidão, edema, dor e a presença de líquido vermelho ou transparente nestes mamilos. O diagnóstico é feito através de uma biópsia, que é a retirada de um fragmento da lesão suspeita. A biópsia, que é esta retirada do fragmento, pode ser auxiliada tanto pela mamografia quanto pelo ultrassom ou a ressonância das mamas.

Viva Mais Viva Melhor – A partir de quantos anos e de quanto em quanto tempo se deve fazer a mamografia, doutora?
Dra. Gabriela Arruda – A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda mamografia anual a partir dos 40 anos de idade. Porém, as mulheres que são consideradas de alto risco, a exemplo daquelas que possuem casos de câncer de mama e ovário em parentes de primeiro grau (parentes de primeiro grau são pai, irmã, irmão, filhos), deverão iniciar o rastreamento um pouquinho mais cedo, conforme a orientação do seu mastologista. A campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Mastologia no Outubro Rosa deste ano de 2016 tem como slogan “A vida pede atitude. Movimente-se: faça mamografia anualmente”, e destaca justamente esta importância do diagnóstico precoce para o rastreamento rápido e o tratamento adequado levando à cura da doença.

Viva Mais Viva Melhor – Doutora, caso a paciente já tenha realizado outros exames de mama anteriormente, é importante que eles sejam levados numa nova consulta ou para o segmento da mamografia?
Dra. Gabriela Arruda – Sim. A comparação entre os exames é essencial para a análise mais detalhada da mamografia. Um achado pode se tornar insignificante se mantido sem alterações em diversos exames ao longo dos anos, ou pode se tornar suspeito se aparece com alguma característica diferente entre um exame e outro. Eu costumo dizer para as minhas pacientes levarem sempre ao consultório a mamografia dos dois últimos anos. É importante essa conscientização porque realmente faz diferença no diagnóstico.

Viva Mais Viva Melhor – Doutora, nós sabemos da importância do autoexame nas mamas, mas ele substitui a ida anual ao ginecologista ou ao mastologista para realização de uma mamografia?
Dra. Gabriela Arruda – A principal função do autoexame mensal das mamas é o maior conhecimento corporal e permitir um retorno precoce ao mastologista em caso de dúvidas. Ele não substitui a ida ao mastologista, nem tampouco um exame de imagem para o rastreamento. Lembrar que com a mamografia estamos procurando lesões não-palpáveis e, portanto, que não são identificadas necessariamente no exame físico. Já a consulta com o mastologista ela é essencial para a identificação dos fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos da doença. O exame físico realizado pelo mastologista vai ter uma sensibilidade e uma especificidade maior para o diagnóstico.

Viva Mais Viva Melhor – Qual que é a importância da detecção precoce do câncer de mama, doutora?
Dra. Gabriela Arruda – Quando a gente fala de detecção precoce a gente está falando de vida, não é? Aquele famoso “tempo é vida”. As maiores chances de cura no tratamento do câncer de mama são associadas ao diagnóstico precoce, quanto menor o tamanho da doença menos agressivo será o tratamento, com maiores chances de cura, podendo alcançar até 95%. Atualmente, mais de 30% dos tumores são descobertos em estágios avançados, o que diminui as chances da paciente na luta contra a doença. Vale ressaltar que o tumor leva, em média, 10 anos para alcançar o primeiro centímetro, porém, a cada 6 meses ele dobra de tamanho posteriormente, se tornando um tumor cada vez maior.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são as opções de tratamento disponíveis atualmente para o câncer de mama, doutora?
Dra. Gabriela Arruda – O tratamento do câncer de mama é multidisciplinar e evoluiu bastante nas últimas décadas, o que tem contribuído para um número cada vez maior de sobreviventes da doença. Dentro desse nosso arsenal de terapias, a gente tem o tratamento cirúrgico com a remoção parcial ou total da mama, a terapia sistêmica na qual o corpo todo é tratado, seja com a quimioterapia ou hormonioterapia e a radioterapia, que é uma terapia local com o uso de radiação ionizante. É importante ressaltar que essas opções de tratamento podem ser usadas de maneira isolada ou combinadas, dependendo de cada quadro clínico.

Viva Mais Viva Melhor – Doutora, as pacientes que necessitam fazer a mastectomia, a reconstrução mamária pode ser realizada de forma imediata?
Dra. Gabriela Arruda – Lembrar que a reconstrução mamária imediata é um direito de cada mulher e precisa ser respeitado. Atualmente, as grandes exceções para a reconstrução imediata são as limitações clínicas da própria paciente por ser um procedimento cirúrgico maior, um tempo cirúrgico maior, seja por uma hipertensão descompensada, um diabetes mal controlado, um alto risco de evento cardiovascular. A exceção do ponto de vista de reconstrução imediata a gente tem para os tumores chamados de carcinoma inflamatório, que é um tipo histológico específico, e que também contraindica ainda a reconstrução imediata.

Viva Mais Viva Melhor – Os tratamentos de quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia podem afetar a fertilidade da mulher, doutora?
Dra. Gabriela Arruda – Sim. A quimioterapia pode afetar sim a fertilidade da mulher. Por isso é fundamental que a preservação da fertilidade seja abordada com as pacientes em idade reprodutiva e que ainda desejem filhos. Nas últimas décadas, a maior participação das mulheres no mercado de trabalho, levou a um retardo na concepção do primeiro filho, o que aumentou a chance do diagnóstico de câncer de mama em pacientes sem prole constituída, sem uma família constituída. A radioterapia trata-se de um tratamento local, portanto, no caso do câncer de mama, ela não influencia na fertilidade.

Viva Mais Viva Melhor – Homens também podem ser diagnosticados com câncer de mama?
Dra. Gabriela Arruda – Sim. A cada 100 mulheres diagnosticada com câncer de mama teremos 1 homem com a doença. Devido a menor incidência não temos políticas de rastreamento para o câncer de mama no homem. Mas em caso de surgimento de nódulos palpáveis, saída de secreção pelo mamilo ou outras dúvidas, os homens deverão procurar o mastologista para uma avaliação. Portanto, apesar de menos comum, os sinais e sintomas suspeitos em homens também deverão ser investigados.

Viva Mais Viva Melhor – Doutora, nós sabemos a importância dos nossos hábitos de vida, mas, em termos de prevenção, existe uma forma de prevenir-se contra o câncer de mama?
Dra. Gabriela Arruda – Apesar de não termos uma fórmula mágica contra o câncer, sim, nós temos caminhos para preveni-lo. A alimentação saudável e uma atividade física regular podem reduzir em até 28% o risco de câncer de mama. Devemos combater o sobrepeso, o abuso de bebidas alcóolicas e eliminar o tabagismo da nossa sociedade. Essas dicas são importantes no combate ao câncer de maneira geral e, no caso do câncer de mama em específico, das nossas sobreviventes do câncer de mama, na redução das taxas de recidiva da doença. Então as pacientes que têm diagnóstico e que têm hábitos saudáveis, elas têm uma taxa de recidiva menor. Sim, os hábitos de vida são importantes no combate ao câncer também.

Viva Mais Viva Melhor – Conversamos com a médica doutora Gabriela Arruda, especialista em Mastologia. Doutora, muito obrigada e até a próxima.